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Marchas e arraiais

por Lucelia, em 12.06.14
Marcha do Orgulho LGBT 2014
Arraial Pride 2014

Ora então parece que este mês de Junho vai ser um fartar vilanagem de festas como nunca se viu no nosso país e arredores. E nós que não somos menos que as outras também vamos participar e até já estamos a preparar umas t-shirts para levar à marcha, e se a coisa se der até ao arraial que vai ser no último fim-de-semana do mês e vai ser de arrasar! Nós nesse dia vamos estar junto à barraquinha das outras do Clube Safo, na esperança que nos ajudem a divulgar a existência do nosso Clube e nos aceitem no seu seio como boas fufas que somos. A ver vamos, sabemos que há a questão do gaipo geracional que é assim uma espécie de diferença muito grande entre nós, as novas, e elas, que já cá andam há muitos anos a lutar pelos nossos direitos. Mas caso não nos enxotem lá estaremos em franco convívio umas com as outras a beber umas bejecas e a comer uns tremoços e a sorrir muito para as que se atreverem a ir pela primeira vez a uma festa convívio da magnitude do arraial.

 

Por falar em festas e em primeiras vezes a Tininha no outro dia perguntou-me porque é que eu não escrevia sobre os encontros românticos entre as mulheres, até porque este mês vai ser propício a encontros entre corações solitários e todos sabem que as mulheres gostam muito de fazer arranjinhos umas para a outras, e umas com as outras também, mas isso fica para depois porque ainda tenho que ir ali à Micaela ver se me dá um jeito ao cabelo porque vamos ver as marchas, mas estas são as do povo e não das fufas e dos gays. Eu só vou porque me disseram que há um bar novo que abriu de meninas e já que tenho boleia aproveito para ir espreitar, que isto há que se manter actualizada. Por falar nisso tenho que disponibilizar aqui uma lista de sítios para as meninas do nosso Clube, e não só, saberem onde podem encontrar outras que partilhem interesses similares aos seus. Depois das marchas ainda vamos a Alfama comer umas sardinhas se bem que eu nem gosto de sardinhas, apesar do que dizem por aí sobre as lésbicas e o peixe, há que esclarecer que as passarinhas ao contrário das sardinhas não têm espinhas, se é para andar o tempo todo a lamber e a cuspir, eu passo!

 

Mas passemos aos conselhos que hoje trago para partilhar convosco caras leitoras alvoroçadas, acalmai as passarinhas que já lá vamos!

 

1. Como saber que uma mulher está interessada em nós? Devia ser muito fácil, começava-se por um olhar, e depois chegávamos perto da presa e dizíamos "tomamos um copo?" Só que no que toca a mulheres nunca nada é muito fácil. Por exemplo no outro dia estávamos numa tasca a comemorar o divórcio da Zefa quando sinto uma mulher a olhar para mim como quem diz "come-me". E eu contente, pois claro, por muito que a Cátia me aqueça o corpo nas noites frias da Rinchoa, uma pessoa não fica indiferente ao interesse alheio, ainda por cima ela não era nada de se deitar fora! Assim como quem não quer a coisa deixei tombar o copo de vinho na mesa e aproveitei a confusão para me esgueirar para a casa de banho, sentindo os passos da outra a seguir-me e sorrindo como se me tivesse calhado a sorte grande. Quando ela entrou vira-se para mim e diz-me: "Olá, sou a Anabela do 5 à Sec da Damaia. Era só para te dizer que te esqueceste lá duma camisa, e se não a fores buscar o Sr. Manel vai dá-la aos ciganos do mercado municipal". E pumba, fecha-me a porta na cara e eu fiquei sem saber se aquele "só" trazia água no bico. É que as mulheres falam sempre torto por linhas direitas e será que ela queria que eu fosse lá buscar a camisa? Estava já eu a imaginar-me deitada por cima da Anabela numa pilha de roupa lavada a despi-la com destreza quando entra a Micaela e me diz que nem pensar em enrolar-me com ela porque anda de caso com a Maria José da Brandoa que como toda a gente sabe é má como as cobras e pior ainda do que a Zefa no que toca a arranjar confusões e eu como até já passei uma temporada no chilindró por causa da Zefa e prezo muito os meus dentes acho que vou ter de esquecer a minha rica camisa que será vendida no mercado municipal por meia dúzia de tostões.

 

2. O que fazer quando se sabe que a mulher está interessada em nós? Apesar das Anabelas que se nos atravessam na vida e das quais devemos fugir como diabo da cruz, porque as mulheres tem boca grande e quando se enrolam contam logo a três das suas melhores amigas que depois se encarregam de espalhar pelo resto, haverá algumas mulheres livres e desimpedidas que de facto chegam até nós, nem que seja pela net, e nos dizem "gostava muito de te conhecer, marca um lugar e eu estarei lá". Ui quando nos fazem isto é que nos entalam de vez porque uma pessoa fica sem saber por onde começar. Um jantar num restaurante está fora de questão, até porque pode dar-se o caso da outra assumir que somos nós que pagamos, porque fomos nós que marcámos, e nós assumimos o contrário pelo que quando chega a conta é um ver se te havias para ver qual das duas se consegue pirar dali para fora o mais rapidamente possível. E isto é assumindo que vamos querer passar a imensidão de tempo que dura o jantar com uma pessoa que mal conhecemos. Vai que ela abre a boca e percebemos que é alguém sem interesse nem cultura de espécie alguma. Depois temos que estar a fazer conversa, sobre o tempo ou sobre as vacas que crescem tão viçosas ali para os lados da Moita. Não sendo jantar as outras opções são um café, mais rápido e mais barato, ou um passeio no parque o que será a melhor opção porque podemos sempre dizer "olha está ali a minha prima e tenho que ir ter com ela coitadinha que sofre duma doença incurável e os médicos não lhe dão mais de três dias" e ala que se faz tarde mesmo que não haja prima nenhuma num raio de vários quilómetros. É a opção cobarde, assumo. Mas assim a outra fica a pensar que somos tão boazinhas e vamos dando a desculpa da prima moribunda até perceberem que o raio da prima nunca mais morre e nós claro justificamo-nos com os milagres da medicina moderna que as pessoas hoje em dia vivem muito mais para além do esperado!

 

3. O que fazer quando chega a hora H e nós percebemos que afinal não era bem aquilo que queríamos? Assumindo que o café escorregou bem, ela até nos parece uma pessoa simpática e cordial, inteligente q.b., e não é uma daquelas de meter medo ao susto que isto com a idade as exigências vão dimuindo, sim porque se tiver os dentes todos no sítio, se não for estrábica, se não tiver um nariz daqueles que nos fazem desviar a cabeça sempre que avançam na nossa direcção, se se vestir decentemente, aqui a porca torce o rabo porque eu sei que devia ser menos esquisita com as indumentárias das lésbicas que embarcam neste tipo de encontros, mas lá está, se me aparece uma daquelas de cabelo rapado, de t-shirt largueirona e de calção a querer cair pelo rabo abaixo, eu começo logo a revirar os olhos e digo que estou com os calores, é a menopausa precoce, e "olha lá vai a minha prima moribunda a passar, peço desculpa mas ela coitadinha não dura nem mais um dia", e adeus até ao meu regresso maria ivone, tá quieta que eu nunca, mas nunca irei enfiar as minhas mãos dentro dum calção de cor verde tropa! Se eu fosse a contar as primas moribundas que já vieram ao meu auxílio em situações deste género eram mais de cinquenta! Uma outra maneira muito bera a usar só em situações de desespero extremo é quando nos viramos para a mulher ali deitada e vimos que por safo, eu nunca serei capaz, é de fingir que estamos com náuseas horríveis, daquelas que nos deixam dobradas em duas. Nessa altura nem é preciso fazer mais nada é vê-las a apanhar a roupa do chão e a fugirem a sete pés. Entre primas e naúseas alguma coisa se arranja sempre, dependendo se temos que continuar a falar com a pessoa ou se a probabilidade de a voltarmos a ver é quase nula.

 

Bom mas agora tenho que ir andando que a minha vida não é só isto e as marchas estão quase a começar, ala que se faz tarde, vamos todas para a festa, encontramo-nos por aí?

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publicado às 19:47

 

 

Piarece que a cidade de Lisbioa estiá chieia de espanholes que não consieguem encontrar alojamento pelo que eu e as minhas amigas da Rinchoa resolviemos disponibilizar quiartos para hoje e amianhã, 100 ieuros por piessoa, passaides pialavra se encontraides ialmas espanhiolas que precisem de diescanço antes, durante e apiós o apito final.

 

Temos uma dezena de quartos, é só passarem o contacto 936 969 696 da NOS mas que não é de nenhuma de nós, pertence a uma menina que é quase como se fosse um IVR mas em bom porque percebe o que se lhe diz logo à primeira e põe-los logo em contacto connosco.

 

Quanto a direcções é só dizerem aos espanholes que a Rinchioa fica muito próxima do estádio da Champions, que assim que saem do aeropuerto é só virar na seguiunda cirquiolar à dirieita e seguir siempre em friente até chegar a uma pliaca que diz “Rinchoa”, não tem nada que enganar. Encontrarão aqui um grupo de chicas mui disponibeles para os fazerem passar uns bions bocados. Se não tivierem bilhiete para o jogo, não fá mal porque o Sr. Vitor disponibiliza o visionamento no seu restiaurante Estriela do Diemo e se o Cristiano marcar ele diz que paga uma rodada a todos os presentes.

 

Hoje e amanhã somos todos espanholes e espanholas e prometemos muita farra e muitas copas e tapas e massagiens e limpezas de pieles e de pienis, para os probecitos que forem ao estádio e venham de lá esgotados piorque não vai haver transpiortes e de lá até à Rinchoa a pé faz-se, é sempre em frente, não tem nada que enganar, mas por causa da subida do palácio de Queluz é possível que as biolhas dos pés rebientem mas não se apoquientem porque temos mezinhas e remedios para todos os viossos miales estiares. A Micaela e a Idalina aguardam-vos com expectativa, venir venir que o futuro está para vir, já ali ao virar da esquina, e vamos fazer uma enorme fiesta, seguida duma boa siesta com meninas que não se importam de vos siervir, tenho aqui já uma voluntária de seu nome Cátia... paafffffffffffffttttttttttttttttttt!!! Ai ai ai!!! Pronto a Cátia acaba de me informar via biqueira do sapato que se retirou da lista de disponíveis, mas não há problema porque à falta de Cátias arranjam-se Dinas, Susanas, Marinas, é só dizer!

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publicado às 15:07

Atrás da Moita

por Lucelia, em 12.05.14

A Cátia está aqui a dizer-me que não gosta deste título mas a alternativa seria "atrás do sol posto é onde fica a Moita" por isso decidi encurtar para não cansar as minhas leitoras logo a abrir porque nem sabem o que por aí vem. A Cátia também não queria que eu contasse as nossas peripécias de sábado à noite porque ela diz que pelo que eu escrevo parece que as fufas são assim todas uma espécie de filhas do demo que só atraem azares e chatices mas se as coisas acontecem eu tenho a obrigação de contar tudo tal como foi, mesmo que isso prejudique a imagem que os portugueses e demais mundo tenham de nós.

 

No sabádo estávamos todas quietinhas no sossego dos nossos lares quando uma alminha que mais valia ter ficado calada se lembrou que seria uma boa ideia irmos até às festas da liberdade na Moita, até porque estava uma bonita noite de Primavera e é sempre bom ir arejar de vez em quando para não ganharmos mofo, que os invernos aqui na nossa zona são muito rigorosos e húmidos. Eu até agradeci porque o mau tempo tem um efeito devastador nas mulheres em geral e nas fufas em particular e ao fim dum tempo começamos a andar todas amofinadas umas com as outras e nessa altura o melhor é pegarmos em nós e fazermos uma excursão a qualquer lado. Podíamos era ter ficado mais perto de casa porque a Moita é longe como tudo mesmo que a gente tenha que estabelecer laços para além das pontes para não ficarmos só confinadas aqui às serras e às matas, enfim, lá fomos nós rumo à margem sul para uma noite de diversão e convívio.

 

Demorámos imenso tempo a chegar porque várias mulheres num carro a acharem todas que sabem o caminho quando nenhuma delas tinha posto o pé na Moita é coisa para nos perdermos várias vezes por entre os Sarilhos Grandes e os Pequenos e só quando chegámos à Baixa da Banheira é que percebemos que já estávamos bem para lá da Moita e tivemos que voltar tudo atrás. Uma vez chegadas ao recinto da feira até ficámos agradavelmente surpreendidas porque estava bem compostinho e via-se que a população ali preza muito a liberdade tal era a quantidade de criancinhas que corriam sem supervisão de espécie alguma pelos pais que se encontravam junto às barraquinhas a emborcarem cerveja como se não houvesse amanhã. É também isto a liberdade, entregar-se aos bons momentos sem pensar nas consequências ou mesmo pensando encolher os ombros e dizer "que se lixe! ófaxavor traga mais uma jola e um pires de tremoços!"

 

Estava eu entretida com os meus pensamentos a saborear um panaché quando ouço uns gritos ao longe e vejo a Micaela a esbracejar e a chamar-me e quando chego ao pé dela está a Idalete estatelada no chão agarrada a uma perna a gemer. Não sei porque raio a mulher viu uma daquelas aranhas com elásticos que se prendem nas coxas dos miúdos que depois se põem para ali aos pulos e ela achou que aquilo é que era adrenalina da pura e convenceu o escuteiro a pôr-lhe os arneses porque ela é assim baixinha e ele perguntou-lhe se ela pesava mais de 45 kilos e ela muito escandalizada disse logo que não e ele vai e deixa-a subir para aquilo mas como a Idalete não pesa menos de 45 kilos há mais de 40 anos claro que ao primeiro impulso aquilo soltou-se tudo e a ela veio parar ao meio do chão! Já estava eu a dar-lhe um raspanete quando a Micaela me acalmou e me disse que pelo menos aparentemente não havia ossos partidos sendo que a única consequência da queda foi a Idalete ter ganho um andar à Paulo Gonzo.

 

Fomos ter com as outras que estavam em jovial confraternização com um grupo de fufas da Moita que são moças bem constituídas assim mesmo para o latagonas, deve ser dos ares, elas bem diziam para eu respirar fundo e ver como ali o ar era puro e saudável e a mim cheirava-me vagamente a estrume mas se aquilo é bom para as vacas também deve ser bom para as fufas que se vê mesmo que são viçosas e robustas, deve ser dos caracóis e das bifanas que ali as meninas são finas e comem muitas proteínas. Conversa puxa conversa e elas a dizerem que na margem sul não havia lésbicas como as da Moita, elas eram as rainhas do pedaço e ninguém se atrevia a meter-se com elas e eu a pensar que precisávamos de meninas assim destemidas na Rinchoa, não é que a gente tenha medo mas sentiamo-nos mais confiantes com espécimes daqueles no nosso grupo. Infelizmente a bazófia dá sempre maus resultados, e calhou estar a passar por ali um grupo de fufas do Samouco e as outras começam a mandar bocas porque parece que nessa zona o rio está mais poluído e então as fufas não vingam, ficam assim mais enfezaditas e lingrinhas, daquelas que parece que andam de mal com o mundo, e vai uma dessas e chega-se à chefe do grupo das da Moita e diz-lhe que agora é só garganta mas quando andaram as duas enroladas já não se queixava, especialmente quando lhe pedia para enfiar a mão em punho cerrado pela c... adentro até ao ombro! A outra claro ficou logo muito vermelha e desata a bufar e nem vi quem atirou a primeira pedra porque peguei logo na Maria Antónia e enfiei-me com ela debaixo da cabine de som até acalmarem os ânimos.

 

Quando saímos vimos um cenário dantesco, umas caídas para um lado, sangue a jorrar, dentes partidos, mas o que valeu às nossas é que tiveram o discernimento de se porem atrás das bisarmas da Moita pelo que se safaram sem grandes mazelas, excepto a Zefa que não é de apanhar e ficar-se mas como tem casca grossa conseguiu safar-se só com uns arranhõezitos e uma amolgadela no nariz. Decidimos acabar a noite por ali antes que houvessem mais feridos e depois de trocarmos contactos com as poucas fufas da Moita que ainda se encontravam conscientes saímos do recinto e fomos à procura da carripana o que demorou mais algum tempo porque a Moita é bem maior do que parece à primeira vista, é o mesmo que acontece a quem vem à Rinchoa a pensar que aquilo é só um lugar de passagem e depois apercebe-se que há muito mundo ali, que até temos um Clube Safo e tudo, esperem só chegar ao Verão e vão ver a quantidade de actividades que o nosso Clube vai organizar!

 

Como não há duas sem três estávamos quase a chegar ao carro e a Rosalina começa a dizer que está muito aflitinha e que não ia conseguir aguentar-se até chegar a casa e nós fomos à procura duma moita atrás de onde ela se pudesse aliviar. Assim que se agacha desata aos urros e nós "que se passa mulher?" e ela "pica pica pica!" e nós sem percebermos nada até vermos que ela se tinha sentado precisamente em cima dum cacto! Pegámos nela enrolámo-la na écharpe da Micaela e passamos um bom bocado ali à cata dos espinhos enterrados na carne da Rosalina que veio o caminho todo a gemer e nós a dizer-lhe para ela aproveitar o sofrimento como castigo por todos os seus pecados! Pelo amor de Safo enquanto me lembrar desta noite não me meto noutra igual! Agora se quiserem festas o mais que vou é ali até S. Pedro, se bem que dizem que as festas do Casal de São Brás também são muito bonitas.

 

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publicado às 14:41

A ida à rádio

por Lucelia, em 30.04.14

 

 

Ainda não tinha tido tempo para vir aqui contar a nossa ida à rádio mas também não sei se valerá a pena porque correu tão mal que mais valia nem termos saído de casa. É que eu até estranhei o convite, porque assim de repente não estou a ver quem falou de nós ao Tó Mané que é o rapaz que coordena as manhãs da rádio na Rádio Ocidente – Sintra. Eu até confesso que gosto de ouvir esta rádio porque é assim mais orientada para a nossa região e de vez em quando sorteiam uns vales de compras para o Fórum Sintra e até já ganhei um mas era para uma casa que lá há que faz limpezas às peles mortas dos pés com uns peixinhos que parece que gostam tanto daquilo que se agarram às peles tal como a gente se agarra aos camarões em dias de casamentos de primos e sobrinhos. Mas aquilo fez-me impressão e nem sequer gosto que me mexam nos pés, quanto mais arrancarem-me peles e cutículas pelo que acabei por dar o vale à Idalete.

 

Mas fiquei muito contente com o convite e achei que seria uma boa oportunidade para divulgar o Clube e conseguirmos chegar a mais lésbicas que estivessem por aí a necessitar de apoio porque como eu sempre digo temos que ser umas para outras e há por aí muitas que não devem ter apoio de espécie alguma e nós sempre temos uma forma organizada de chegar onde é preciso. Isto pensava eu com os meus botões, sim porque afirmo-o com frontalidade que tenho um enorme orgulho em ter criado o nosso Clube na Rinchoa e quero mostrar à região e quem sabe até ao país como nos diferenciamos das outras, especialmente das da Brandoa que são más como as cobras e só querem é dizer mal das meninas da Rinchoa que se preocupam com o combate à discriminação e com os demais direitos das fufas de todo o país!

 

Numa dessas belas manhãs de nevoeiro tão características desta zona do país, lá fomos nós para a rádio para sermos entrevistadas pelos meninos da Rádio Ocidente – Sintra. Eu devia ter desconfiado logo quando fomos recebidas com tanta simpatia e deferência, e sempre a dizerem para nos pormos à vontade, se queríamos um cafézinho ou um cházinho, e já agora umas queijadinhas do Preto e nós todas contentes a pensar que os meninos estavam a ser uns queridos connosco. Vai daí lá nos puseram uns auscultadores nos ouvidos e ouviu-se a voz do Tó Mané a dizer "está a gravar!"

 

O rapaz que estava a fazer a entrevista começa por perguntar quem éramos e o que fazíamos e nós lá dissemos, eu que era professora primária, a Micaela que trabalha num salão de cabeleireiro e estética, a Maria Antónia que trabalha numa óptica, a Zefa que tem uma agência imobiliária, a Rosalina que é beata e contribui muitíssimo para o bem estar moral da nossa freguesia e por aí fora. E o rapaz a insistir que não era isso que queria saber, queria saber quais as nossas especialidades e eu já a bufar que já lhe tinha dito tudo o que sabia sobre as ocupações profissionais de cada uma de nós e vai daí ele pergunta o que fazemos umas com as outras e eu passei a explicar que fazemos inúmeras actividades, nomeadamente organizamos passeios e excursões e também participamos em manifestações quando são relevantes para a nossa causa, como foi a excursão que fizemos à Assembleia da República para reclamar da vergonha que foi o voto contra a co-adopção de crianças entre casais do mesmo sexo e ele voltava a carga que também não era isso que queria saber, queria que lhe disséssemos o que fazíamos umas às outras e eu tapada que sou burra mesmo sem perceber nada até que a Micaela começa-me a ficar muito vermelha e a fazer assim um O com a boca e eu preocupada porque de repente pensei que a rapariga lhe ia dar um treco ali em directo na rádio regional quando estava todo um país em potência ali dependurado nas nossas palavras.

 

Só me caiu a ficha quando o rapaz com um sorrisinho parvo vai e pergunta como foi a primeira vez que  lambi a c... duma mulher e aí eu confesso que me passei forte e feio. Devia ter tido a presença de espírito para pegar nos auscultadores e enfiar-lhe com eles na testa mas não, fiquei tão danada que me esqueci que estava na rádio e desato aos gritos a proferir impropérios que se calhar até já tinha lambido a c... da mãe dele e vai que ela até tinha gostado e tinha-se vindo aos gritos e que tinha sido uma vergonha tão grande na vizinhança que ainda hoje ela não pode lá pôr os pés e esqueci-me que não era só o rapaz que estava de auscultadores, estavam todos e só quando os vi aos tombos assim a baterem com a cabeça uns nos outros e nas paredes feito baratas tontas é que percebi que me tinha excedido e me acalmei o suficiente para pegar em mim e nas meninas e sairmos porta fora para nunca mais voltar!

 

Só depois é que a Micaela me contou que tinha percebido logo que o rapaz queria saber se nos encontrávamos para fazermos orgias e que queria saber o que fazíamos umas às outras nessas situações. A sério, nunca me teria ocorrido tal coisa! Fiquei tão danada que durante uns dias nem sintonizei a Rádio Ocidente – Sintra, é que às vezes parece-me que já não há uma réstia de decência neste país!!

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publicado às 11:56

 

 

 

Prezo muitíssimo os dignos leitores que chegam ao nosso humilde espaço através de pesquisas que acabam por poder vir a ser uma nova oportunidade de negócio para nós, como esta que junta esses dois monstros sagrados do imaginário erótico masculino, as meninas e os carros. Realmente era algo que nunca me tinha passado pela cabeça mas temos meninas, temos muita água e sabão também não falta pelo que se quiserem ter os vossos carros lavados pelas meninas da Rinchoa é só enviar um mail que a gente trata já do assunto. Aliás a Micaela e a Idalete ficaram tão excitadas com a ideia que pegaram num balde e foram praticar na carrinha de caixa aberta do Sr. Vitor do restaurante Estrela do Demo.

 

Espero é que os leitores não se importem que as meninas do Clube já não vão propriamente para novas, mas aqui somos pela diversidade e em querendo somos todas "meninas" até passarmos dos noventa. O que importa é o entusiasmo e a motivação, haja alegria e tudo se conjuga. Hoje estou assim optimista, estive a passear-me por uns sites de lésbicas brasileiras, que parece que agora se chamam de sapas que sempre é mais moderno do que sapatonas, pior que isso só o nosso tristemente português fressureiras, havia lá maneira mais nojenta de apelidarem as meninas que gostam de outras meninas. Vá lá que as brasileiras encurtaram a coisa para sapas, nós por cá usamos fufas mas também há muito quem não goste de se ver assim apelidada, por mim não me importo, qualquer coisa é melhor que fressureirismo ou tribadismo ou outras coisas que invoquem em nós coisas nojentas quando estamos muito longe disso.

 

Ainda assim não me vou pôr para aqui a falar de amor, isto não é um blog desses cor-de-rosinha pois que os há, mesmo de lésbicas e tudo, já os vi e não gostei nada, com barrinhas a contar os dias que faltam para o dia do casamento e os dias que faltam para o dia da ovulação da que vai ficar prenha, é o que eu digo, lacinhos e passarinhos não é comigo nem nunca foi! Mais depressa o meu irmão andava a pôr ganchinhos no cabelo do que eu, nunca gostei dessas mariquices, eu gostava era de ver as carripanas do meu pai a funcionar e se não fosse cá por coisas tinha mantido o negócio dele que dá sempre jeito ter um bom mecânico por perto. Ainda por cima agora com esta nova oportunidade de negócio fazia já aqui um dois-em-um, punha as meninas a lavar os carros enquanto eu dava uma geral por dentro, que é como quem diz, afinava-lhes o motor e trocava-lhes o óleo que era uma limpeza. Uma oficina só de meninas, já estou a ver o filme aqui a rodar na minha cabeça, "Meninas & Carros", e depois contratávamos as brasileiras do salão da Micaela para  irem barbear os clientes enquanto esperavam pelos carros, ei lá, meninas, naifas e carros, a coisa está-se a compôr!

 

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publicado às 14:42

Let's talk about sex

por Lucelia, em 23.03.14

 

 

Reparei no outro dia que vinham aqui parar leitores à procura de "sexo na Rinchoa". Eu sinceramente gabo-vos a paciência porque sexo por estes lados é coisa que não há quase nunca embora ultimamente não me posso queixar muito porque a Cátia não paga renda mas em troca faz-me umas massagens que me põem como nova enquanto o diabo esfrega um olho, ou se calhar dois, porque ele não deve gostar muito de ver estas cenas entre nós, sim porque o diabo tem toda a pinta de ser gay empedernido daqueles que não pode sequer ver uma mulher vestida quanto mais nua!

 

Bom mas passando ao assunto em epígrafe queria aqui exemplificar porque é que as mulheres no geral têm significativamente menos sexo do que os homens, sendo que o problema agudiza-se no caso das lésbicas e passo a explicar o porquê.

 

Ora então imaginemos dois gays que estão com vontade de ir para a brincadeira. No meu entender a conversa seria algo do género:

 

G1: E então o Benfica? Aquele Cardozo não anda lá a fazer nada não achas?

G2: Acho. Vamos foder?

G1: Vamos!

 

Já se forem duas lésbicas a coisa irá passar-se da seguinte forma:

L1: As gatas da Salomé hoje não me deixaram dormir.

L2: Eu não dei por nada, tu é que estás sempre a implicar com as gatas.

L1: Tens que ir apanhar a roupa, ouvi dizer que hoje ia chover.

L2: Que mania tens tu de me mandar fazer coisas, eu não sou tua empregada!

L1: Não és mas também bem podias contribuir já que não me pagas renda nem nada.

L2: Estás sempre a atirar-me isso à cara, pois fica sabendo que eu já contribuí e muito! Só eu sei o que te aturei no passado!

L1: No passado eu não me importava em ter-te comigo, agora é um martírio!

L2: Ai é? E então aquilo que me pediste para te fazer ontem foi exactamente o quê?

L1: Que inconveniente que tu és! Estás sempre a aproveitar-te dos meus momentos de fraqueza!

L2: Da próxima vez vou fingir que nem te ouvi!

L1: Não sejas assim, sabes que eu reclamo mas depois até gosto vá.

L2: Não, nem penses! Estou farta de levar patadas, eu não nasci para ser saco de porrada de ninguém e muito menos duma fufa de meia idade que já não vai para nova e não tem onde cair morta!

L1: Anda cá que eu preciso de te mostrar uma coisa.

L2: Agora não vou, nem que me pagasses!

L1: Eu prometo que não volto a gritar contigo.

L2: Isso é que era bom, não volto a cair nas tuas falinhas mansas.

L1: Raça de mulher teimosa, mas quem me manda a mim meter-me com miúdas mais novas, é sempre uma carga de trabalhos!

L2: É pois, mas depois até gostas!

L1: Gosto! Pois gosto! É a minha maior fraqueza gostar de lambisgóias e se não fosses tão mula vinhas agora aqui e davas-me um beijo!

 

Por isso caros leitores vos digo que por vezes até há sexo na Rinchoa sim senhora mas por vezes temos que dar tantas voltas até lá chegar que só sendo muito paciente e mesmo assim! E caras leitoras antes de andarem por aí a dizer que os homens são uma carga de trabalhos que se calhar era mais fácil terem relações com mulheres eu digo-vos já para esquecerem! As mulheres são dez vezes piores! Minto, mil vezes piores! Não ouvem, e quando ouvem fingem que ouviram coisas que não dissemos e depois vêm com aquela coisa dos "subentendidos" porque nós dissemos que o casaco era verde mas elas acharam que tínhamos dito que era rosa e começam logo a embirrar com as cores e a partir daí embirram com tudo o resto. Se somos mais cheiínhas começam logo com os suspiros que devíamos ir ao ginásio e "não é que sejas gorda" mas "estás muito desleixada" e é um ver se te havias até nos inscrevermos num ginásio onde não fazemos intenção de pôr os pés mas é só para não nos chatearem mais a mioleira.

 

Sobre os cabelos e as unhas então nem vou falar disso! E a roupa? Sim sim, pensam que uma mulher olha para outra e vê alguém bem arranjada e elogia? Isso é que era bom! É logo "esse casaco era da tua tia Felismina?" e que não se usa há mais de cinquenta anos, mesmo que a gente jure a pés juntos que o comprámos no ano passado, tá bem que foi numa feira de artigos usados que costumam fazer na Brandoa, mas tinha ar de novo o raio do casaco!

 

De maneiras que é assim, as relações com mulheres são uma verdadeira dor de cabeça que nem lembra ao diabo! Aliás ele deve é estar a rir-se de mim, e de todas as fufas da Rinchoa e arredores porque o que mais vai por aqui é confusão e da grossa, andamos todas de candeias às avessas umas com as outras porque desde que a Cátia se veio enfiar cá em casa as outras recusam-se a vir cá e cada vez que me vêem na rua viram-me a cara, como se eu tivesse cometido algum crime!

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publicado às 16:37

A ida aos Óscares

por Lucelia, em 06.03.14

 

 

É sempre assim, uma mulher lésbica e ex-presidiária decide voltar a escrever com uma pujança renovada mas depois apercebe-se que a sua vida anda numa reviravolta e a vontade esmorece a uma velocidade estonteante. Também não ajuda que desde que regressei tenho a Cátia cá enfiada em casa porque um dia ela foi-me visitar à cadeia e pediu-me se lhe emprestava a chave cá de casa só para ela poder guardar uns produtos lá do salão e aproveitando-se do meu momento de fraqueza e reclusão e apesar de eu lhe ter dito para não me atravancar a casa com tralhas ela vai e muda-se de armas e bagagens para aqui e agora para conseguir pô-la fora vai ser um ver se te havias ainda maior do que foi da outra vez que a expulsei cá de casa.

 

Tenho andado aqui na net à procura de ideias e inclusive googlei "como se livrar duma Cátia" mas só me aparecem sugestões para quem se quer livrar de gatas e até ando um bocado chocada com o que as pessoas são capazes de fazer aos bichaninhos. Mas a Cátia não cabe propriamente dentro do micro-ondas nem dentro do contentor de lixo porque o daqui do prédio até é dos mais pequenos porque temos poucos inquilinos. Tentar afogá-la na sanita também é uma impossibilidade física dado o tamanho da bicha portanto se tiverem alguma sugestão mais adequada ao problema em questão é favor usarem o mail do blogue que é para isso que ele serve e não só para receber anúncios de como aumentar o pénis ou mailes de brasileiros extremistas amantes de bíblias que me querem ver de novo atrás das grades e me tratam como se eu fosse uma degenerada ou criminosa, coisa que não sou nem nunca fui apesar do infeliz incidente que me fez passar umas semanas dentro.

 

Bom mas voltando ao tema do post de hoje eu estive a sondar a net que é como quem diz ler em diagonal dois ou três dos blogues mais influentes e vi que está toda a gente a falar dos óscares e eu como não sou menos que as outras bloggers também quero dar a minha opinião mas já que estamos num sítio inclusivo e pela diversidade e liberdade e tudo isso eu vou apenas falar das actrizes lésbicas dos óscares.

 

1. Ellen Page

 

 

Esta miúda coitada parece que foi atropelada por um daqueles camiões TIRs que a deixou de cara à banda e estou mesmo a falar de veículos motorizados e não daquelas fufas que andavam no engate nos tempos áureos do Memorial. A miúda saiu do armário mas pode ter sido prematuro, ou então não a deixaram levar a namorada à cerimónia e ela foi assim como quem diz que vai mas toda a gente vai ficar a saber que vai contrariada. É pena porque ela até é das mais bonitinhas, e quando disse que era lésbica fiquei muito contente porque nós precisamos de mulheres bonitas no clube, enfim, há espaço para todas que aqui não descriminamos ninguém, mas uma ou outra estampa é sempre bom para melhorar o visual da caderneta de cromos.

 

2. Portia de Rossi

 

 

Eu peço perdão mas o que raio aconteceu a esta mulher? O que é que a Ellen lhe anda a fazer? A mulher parece uma versão da Betty Grafstein em mais nova, mas por este andar rapidamente chegará ao estado de sósia da socialite portuguesa que só não está presa por arames porque é dona duma empresa de diamantes, que se é para estar toda repuxada há que fazê-lo com estilo. Mas a Betty tem cem anos, enquanto que a Portia ainda é nova! Filha, o que se passa contigo? É a Ellen que te anda a tratar mal? Bem sei que ser mulher duma pessoa como ela, uma celebridade à escala global, não deve ser nada fácil até porque ela deve ter milhares de aspirantes a nova Mrs. Degeneres a atiram-se-lhe para a frente tipo capacho a dizer "pisa-me" mas ainda assim merecias melhor sorte. É uma pena que estejas tão longe, que um oceano e um continente inteiro nos separem porque senão ia-te aí bater à porta a perguntar o que se passa e se precisas de ajuda, sim porque nós temos que ser umas para as outras e eu sinto que te estamos a perder e não queria assim deixar-te ir sem lutar por ti!


3. Sarah Paulson

 

 

A cara desta mulher não me é nada estranha mas assim de repente não me lembro de onde a conheço. Coitada também parece que já viu melhores dias, os óscares este ano não favoreceram muito as actrizes lésbicas, onde é que anda a Jodie Foster quando mais precisamos dela?

 

4. Sandra Bullock

 

 

 

Ok, reconheço que a Sandrita nunca disse que era lésbica, mas parece-me que era a única sem parelha das actrizes nomeadas e eu tenho esta secreta esperança que desde que levou com aquele gigantesco par de cornos ela se decida a procurar um colo assim mais feminino e maternal. Já a vimos aos beijos com a Meryl Streep portanto aparentemente não há nenhum impedimento físico nem legal que a impossibilite de se assumir e eu cá gostava muito de a ter no clube, até a fazia sócia honorária com direito a cartão dourado e tudo! Só tenho pena que ela não tenha ganho nenhum óscar porque gostava de a ter ouvido falar, se bem que provavelmente ia agradecer à criancinha porque todos os que ganharam agradeceram aos filhos por serem uns anjos à face da terra e por serem tão bonzinhos e os fazerem querer ser melhores pessoas quando a gente sabe que as crianças é mais o contrário e eu falo por experiência própria porque aturei centenas delas ao longo dos anos.

 

Estes actores e actrizes devem passar tanto tempo com os filhos que se os virem uma vez por mês é uma sorte! As mães de crianças que me desculpem mas eu tenho aqui esta coisa atravessada desde que um desses demónios atirou qualquer réstia de decência pela janela fora, junto com o caderno e com uma caneta que era minha e que eu lhe tinha emprestado, com reluctância é certo, mas a criança tinha-se esquecido do material em casa e nas escolas públicas encontrar um lápis ou uma caneta é quase tão raro como descobrir uma moeda de ouro. Ainda por cima eu gostava muito daquela caneta, era da funerária Servilusa e deram-ma por alturas do funeral da minha tia Felismina e era muito catita porque tinha assim um caixão que flutuava num líquido azul e se a virássemos de cabeça para baixo o caixão desaparecia e caíam uma série de brilhantezinhos a imitar cinzas e eu ficava horas a olhar para aquilo, muitas vezes enquanto as crianças partiam a sala toda, putains das criancinhas, peço desculpa pelo uso do francês mas não quero que venham aqui parar ao blogue pessoas à procura de badalhoquices, se bem que assim como assim já ninguém fala francês a não ser talvez os franceses mas se eles vierem aqui parar espero que percebam que este blogue é de mulheres decentes e não dessas que esfrangalham a vida a troco de quase nada.

 

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publicado às 04:33

Relações sexuais com a Isilda Pegado

por Lucelia, em 20.02.14

 

Antes de tudo e mais alguma coisa tenho que pedir desculpas por esta minha ausência forçada que se explica assim em três penadas, ou seja eu estive presa e como na choldra não havia propriamente acesso à net e eu preferi não pagar a fiança porque assim sempre poupava uns tostões em luz, água e gás já para não falar da comida que cada vez que a gente se vira parece que aumenta tudo uns cêntimos e há quem possa dizer "o que são 2 cêntimos?" mas eu cá não posso porque tudo somado a conta dá sempre negativa. Ora e perguntam-me e muito bem porque razão eu estive presa mas agora não consigo ainda escrever sobre essa experiência traumatizante que foi não a prisão em si que até gostei de lá estar e fiz algumas amizades e tudo, mas sim o casamento da Zefa que acabou com tudo dentro e eu por enquanto não quero nem pensar nesse dia negro.

 

Mas dizia eu estive presa e a gente na prisão tem que se entreter com coisas porque se não damos em malucas, porque o espaço é assim a modos que exíguo e eu tinha uma vizinha que me fazia lembrar a Rosalina, com os terços e os santinhos e as orações aos beatos e beatas e isso tudo assim pendurado na parede e eu passava assim muito tempo a olhar para aquela parafernália mas como quando os homens me levaram não me deram tempo para ir a casa buscar os óculos eu não via nada a não ser uma nódoa no meio duma fotografia duma senhora de meia-idade bem compostinha e tudo com um casaco verde e assim com ar de moderna e arejada mas lá está aquele ponto negro ao lado do nariz aquilo encanitava-me sobremaneira até que um dia a vizinha Clementina lá me explicou que a senhora era mesmo assim, era um sinal que ela tinha e que lhe dava um ar da sua graça. Explicou-me também que a senhora era assim muito boazinha e gostava tanto de meninas e meninos que até se tinha proposto adoptar todas as criancinhas que nascessem de mães que tinham abortado nem que fossem para lá de cento e vinte mil alminhas que o país e a sociedade não se preocupassem porque o que fosse preciso ela tinha um canal directo ao papa e ele lhe daria tudo o que ela lhe pedisse tal era o poderio desta senhora. Claro que eu fiquei impressionada, quem não ficaria, esta mulher para além de boazinha devia ser podre de rica e eu aqui todos os meses a contar os tostões para pagar as contas!

 

Digamos que nestes dias todos que estive dentro desenvolvi assim uma espécie de obsessão com a Isilda Pegado e vai daí desatei a sonhar com a mulher a torto e a direito mas o que vale é que numa das últimas visitas a Micaela explicou-me que a Clementina tinha uma visão algo deturpada sobre ela e lá me contou as coisas tal como elas são e fiquei a saber que para além de daltónica a Isilda é homofóbica e má como as cobras para as pessoas lésbicas como nós. E eu vai e decidi escrever uma conversa que tive com ela em sonhos e vou já avisando que isto é tudo fruto da minha imaginação sedentária portanto não venham cá com coisas que ela me vai processar e o camandro porque antes disso eu é que a processava pelas coisas horríveis que ela tem andado por aí a dizer sobre mim e sobre todas as outras fufas que eu conheço e olhem que são muitas!

 

Eu – Dra. Isilda se me permite diga-me lá porque não gosta dos gays e das lésbicas? Não seremos filhos de deus iguais aos outros, a si?

Ela – Creeedo!! Claro que não! Na natureza não há cá disso, é tudo muito puro e virginal! Os animaizinhos só têm relações quando é para procriarem e os seres humanos têm que fazer igual, homens com mulheres como deus quer!

Eu – Se as relações fossem só para procriação porque razão acha que deus inventaria o orgasmo?

Ela – Isso não existe! É coisa do demo! O prazer está-nos vedado, é só para quando chegarmos ao reino de deus!

Eu – Mas os homens quando ejaculam têm um orgasmo...

Ela – Quem disse? Isso é blasfémia! É possível os homens reproduzirem-se sem terem prazer, é só não quererem ter! E se tiverem estão a incorrer em pecado e devem ir penintenciar-se o quanto antes!

Eu – Bom, vamos tentar outra abordagem. A senhora aqui há uns tempos disse que não conhecia nenhum homossexual?

Ela – Sim é verdade, não me dou com essa gente, creeeedo!

Eu – Mas sabe que há um tio seu que gosta de se vestir de mulher e até já participou no "lugar às novas" no Finalmente?

Ela – Não, não e não! Esse senhor já não pertence à nossa família e por mim é como se estivesse morto e enterrado!

Eu – E sabe que há uma colega sua do tempo do colégio de freiras que diz que teve relações sexuais com a Isilda Pegado?

Ela – Mentira! Calúnia! Essa víbora tinha mas era inveja de mim porque as freiras me acarinhavam muito mais do que a ela, levavam-me para a cama delas, davam-me festas, despiam-me, banhavam-me e depois passavam longas horas a elogiar a minha beleza e a cor rosácea das minhas partes íntimas e diziam-me Ildinha tu não deixes ninguém tocar-te, que ninguém sinta o aroma delicado e frutado do teu sexo a não ser nós, que te queremos tanto resguardar do mundo ímpio lá fora!

Eu – Errrrr....

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publicado às 18:31

A festa de despedida

por Lucelia, em 14.01.14

 

 

Preferia mil vezes não ter que admitir que nada disto me agrada minimamente porque tenho a certezinha absoluta que isto vai acabar mal ó se vai! É que se eu conseguisse mesmo prever o futuro nem saía da cama, e eu disse isso à Zefa quando ela me veio dizer que precisava de antecipar o casamento porque a namorada dela está grávida e ela sempre quis ser pai portanto resolveu aceitar toda a situação sem questionar e eu acho mal mas não vou dizer mais nada porque depois dizem que eu é que tenho este feitio que até parece que tenho que andar sempre a dizer mal de tudo e de todos e não é bem assim, eu só digo aquilo que vejo, se vejo melhor que elas olha paciência que vão pedir à Maria Antónia que lhes faça um desconto lá na óptica para ver se deixam de ter vistas curtas!

 

Bom mas voltando ao tema do casamento da Zefa eu até lhe disse que seria melhor esperar pela lei da co-adopção porque aquilo foi aprovado mas agora parece que há lá um moço que acha mal e quer voltar atrás com a lei e se fosse eu obrigava-o a assumir a paternidade do filho da namorada da Zefa para ele ver o que era bom para a tosse, agora impedir pessoas que querem ser pais e mães de o serem só porque a sementinha veio doutros lados, até parece que somos todos filhos biológicos dos nosso pais, há-de ser há-de que o meu irmão tem uma penca tal qual o Onófrio dos ferros velhos e só o meu pai é que nunca percebeu que um rapagão daqueles nunca poderia ter sido prematuro, mas ele nunca foi bom de contas e também nunca ninguém lhe quis dizer as coisas tal como elas são porque o meu pai era um homem tão bom e generoso que perfilhava qualquer coisa que saísse do ventre da minha mãe se ela lhe pedisse.

 

Mas a Zefa diz que sente o relógio biológico que é assim uma coisa que agora está muito na moda e toda a gente diz que ouve aquilo a bater dentro de si mas felizmente a mim é mal que não me aflige porque eu sempre soube que ter filhos era coisa que não me assistia. A Rosalina perguntou como é que tinha sido possível e a Zefa disse-lhe que tinha sido obra de Deus e ela até ficou um bocado chateada porque está farta de pedir a Deus que lhe mande criancinhas e Ele nada, mas à Zefa que nem vai à igreja nem nada pumba, toma lá uma criancinha que é para veres como Eu sou O que manda nisto tudo e gosto de todas por igual mas gosto mais dumas que outras que é sempre assim quando a gente acha que merece muito uma coisa quem recebe é a pessoa que está ali mesmo ao lado e se não fosse cá por umas coisas que eu sei mas a Rosalina não ia começar a achar que se calhar Deus é estrábico!

 

Com a pressa claro que não deu tempo para organizar uma despedida de solteira como a Zefa queria, ela sempre disse que se um dia se casasse agarrava em todas nós e levava-nos para Las Vegas, ou pelo menos a Badajoz, mas assim acabámos todas no restaurante Estrela do Demo que qualquer dia ainda me acusam de estar a ser patrocinada pelo dono mas não, acontece que o Sr. Vitor deve ser das poucas pessoas que ainda atura as parvoíces das fufas aqui da zona e quando a Zefa lhe disse que queria que ele fechasse o restaurante para a festa de despedida dela ele encolheu os ombros mas disse logo que sim porque assim como assim o negócio está fraco e nem as vendas dos vouchers o têm safado.

 

Foi assim que no sábado à noite rumámos para o restaurante, eu sempre de trombas porque tenho esta cara que não dá para disfarçar e se não concordo com uma coisa toda a gente há-de ficar a saber e se calhar é por isso que dizem que eu tenho mau feitio mas daqui a uns tempos voltamos a falar que eu não dou um tostão furado pela Zefa mais a namorada e um filho que ela deve ter arranjado lá pela clientela do bar de alterne onde trabalha. As outras calam-se todas muito bem caladinhas porque o que este gajedo quer é festas, e desde que haja comida e bebida à descrição por elas está sempre tudo bem.

 

E comida e bebida foi o que não faltou na festa da Zefa, e muito ruído e muita palhaçada e eu confesso que houve ali uma altura que até eu me ri quando a Micaela saca duma boneca daquelas insufláveis já toda cheiinha e diz à Zefa que é a última vez que ela pode pôr a língua noutros buracos que não os da namorada e vai a Idalete e enche os buracos de chantilly e diz à Zefa que é para aproveitar que aquilo ao menos é docinho e a Zefa como já tinha bebido um bocado vai e enfia mesmo a língua nos buracos e fica cheia de chantilly por todo o lado e o que me vale é que tirei umas fotografias com o meu telemóvel e vou guardá-las muito bem guardadinhas porque nunca se sabe quando é que vão dar jeito no futuro!

 

No próximo fim-de-semana é o casamento, e a Zefa teve o desplante de me dizer que não me convidava para madrinha porque não queria lá uma mulher de trombas a estragar o ramalhete mas mesmo assim quer que eu vá porque somos amigas desde que somos gente e sempre é um marco importante na vida dela. E perguntou-me o que é que eu achava de convidar a Micaela para madrinha da criancinha, e eu disse-lhe que achava mal porque a Micaela não tem cabecinha nenhuma e uma vez quis à força ter uma gatinha mas depois como não lhe ligava nenhuma e esquecia-se de lhe dar comida a gata passava os dias a miar como se a estivessem a esganar e um dia tiveram que chamar a liga da protecção dos animais e tudo porque o raio da bicha não se calava e a Micaela estava ausente em parte incerta. Mais valia a madrinha ser a Rosalina, porque apesar de tudo ela sempre quis ter criancinhas, enfim, se for uma menina talvez seja melhor não, talvez seja melhor ser a Salomé ou a Idalete, embora se fosse eu a escolher não queria nenhuma das minhas amigas para madrinhas de criancinhas nenhumas, não por serem fufas mas porque são todas um bocado destrambelhadas e estou mesmo a ver um dia perderem a criancinha por aí e termos que ir à polícia fazer queixa e explicar que a culpa é toda desta sociedade que permite que tipos que frequentam bares de alterne possam fazer filhos às funcionárias sem que nada lhes aconteça e depois são as amigas das namoradas que têm que levar com os filmes todos quando as coisas dão para o torto! Porque vão dar, ou não me chame eu Lucélia Maria das Rosas!

 

 

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publicado às 13:37

Excursão à dancetaria

por Lucelia, em 08.01.14

 

 

Estávamos todas a pensar como iríamos comemorar este novo ano que agora começou quando alguém se lembrou que era giro irmos beber uns copos e relembrar os anos de juventude que passávamos nas matinés da danceteria Lido, sim porque só as fufas finas é que se podiam dar ao luxo de ir a Lisboa ao Loucuras, as da Rinchoa tinham que se ficar pela Amadora que sempre era mais perto e o Zé Maneta já nos conhecia desde os tempos da primária e deixava-nos sempre entrar sem pagar e em calhando ainda nos dava uns cupons para bebermos umas cervejas à conta desde que o deixássemos ver a Micaela e a Idalete darem uns beijos que isso na altura ainda me espantava como é que os homens se pelavam todos por uns beijinhos entre mulheres mas agora já sei que é mesmo da natureza deles e não há nada a fazer.

 

A Micaela que sabe destas coisas descobriu uma dancetaria à beira-rio que faz umas ladies nights que são assim umas noites onde as mulheres entram sem pagar e ainda lhes oferecem bebidas e quando se vai aquilo está sempre cheio de fufas porque se é para entrar sem pagar e ainda com bebidas à borla elas estão todas lá caídinhas. Agarrámos e fomos todas em excursão umas mais alegres que outras porque eu nestas coisas já vou assim a meio gás, dizem-me que é da idade mas eu acho que é mais porque ao longo dos anos desenvolvi este sexto sentido que vai o caminho todo a dizer-me que a coisa vai acabar mal e quando acaba passa o dia seguinte todo a dizer-me eu bem te disse, há-de haver um dia em que me hás-de dar ouvidos Lucélia Maria!

 

Ao início foi engraçado, aquilo estava cheio de pequenas que olhavam para nós com ar desconfiado, não devem estar habituadas a ver fufas da Rinchoa, ou então era por termos uns bons trinta anos a mais que elas. Mas elas estavam na boa e nós também, a beber bebidas baratas do chinês porque estes gajos também não são parvos e quando é à borla toca de despachar o que não se vende nas outras noites e eu nem gosto muito de abusar dessas coisas porque os rótulos está tudo em chinês e a gente nem sabe bem o que está lá dentro, vai-se a ver e até pode ser mata-ratos ou algo pior e no dia seguinte a gente acorda e nem sabe qual é nome da terra que nos viu nascer.

 

De repente olho em volta e vejo que falta a Micaela e andei ali um bom bocado pela pista à procura dela até que a vejo em amena cavaqueira com um simpático casal que não deviam ter mais de dezasseis anos e é só porque se me vierem perguntar eu digo que eles tinham ar de ser maiores de idade sim senhora! A miúda ria-se com aquele risinho nervoso e dizia à Micaela que nunca tinha beijado uma mulher mas tinha vontade de experimentar. E o rapaz a incentivá-la, sim experimenta que eu quero ver! A miúda lá consentiu e a Micaela que já devia ter uns copos a mais agarra-a e vai de começar logo a por-lhe a língua dentro da boca como se a miúda fosse mais uma das brasileiras lá do salão! Claro que ela começou aos gritos a dizer que não gostava daquilo, a Micaela ria-se, o rapaz ria-se, e a miúda toda danada olha a ver se tu também gostavas e ele que sim, claro que sim! A Micaela não vai de modas e agarra-se ao rapaz e enfia-lhe a língua e tudo mas este tá quieto que via-se que estava a gostar e não era nada pouco! Começa assim a ver-se-lhe aquilo a crescer-lhe entre as pernas e aí a miúda ficou mesmo histérica e desata às palmadas ao namorado que vergonha que descaramento estar assim agarrado a outra mulher nesses modos mesmo à frente dela!

 

Nisto aparece um segurança a dizer que tínhamos que nos acalmar porque se não ia tudo para a rua e a Micaela ofereceu-se para levar a miúda lá para fora para ver se lhe passava o nervosismo. E eu fui ter com as outras e disse que estava na hora de irmos embora e elas fulas porque ainda não tinham bebido tudo a que tinham direito mas às tantas foi melhor assim que estas bebidas do chinês o melhor é não se abusar muito delas. Chegámos cá fora e a Micaela nem vê-la, o que foi assim uma espécie de balde de água fria porque ela é que tinha trazido o carro e agora como é que íamos voltar para casa, sendo que àquela hora já não havia transportes e mesmo que houvesse ninguém tinha trazido dinheiro porque a ideia era ser tudo à borla até que a Nilda se lembrou que não estávamos muito longe dum centro para sem-abrigos que a Rosalina costumava frequentar em regime de voluntariado e lá fomos nós bater à porta para ver se nos podiam ajudar. O rapazito que lá estava olhou para nós e disse-nos que não éramos sem-abrigo e nós dissemos que tínhamos sido assaltadas e ele que tínhamos era que ir fazer queixa à polícia que ali não era a santa casa da misericórdia até que a Nilda lhe disse que éramos amigas da Rosalina Maria das Dores e ele lá concordou em ajudar-nos mas que disséssemos à Rosalina que em troca ela tinha que fazer um turno da noite e nós sim sim claro e ela sem saber e sem sequer ter ido já estava a ser entalada. Arranjou-nos uns beliches para passarmos a noite e deu-nos uns bilhetes de comboio com muitas recomendações para ficarmos quietas e caladas porque ali a clientela não era das mais recomendáveis. E assim passei o resto da noite que deveria ter sido de revivalismo dos nossos verdes anos entre os roncos dos sem-abrigo e os grunhidos da Idalete a dizer mal da minha vida e a pensar que nunca mais me apanham noutra!

 

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publicado às 09:22


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