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A ida aos Óscares

por Lucelia, em 06.03.14

 

 

É sempre assim, uma mulher lésbica e ex-presidiária decide voltar a escrever com uma pujança renovada mas depois apercebe-se que a sua vida anda numa reviravolta e a vontade esmorece a uma velocidade estonteante. Também não ajuda que desde que regressei tenho a Cátia cá enfiada em casa porque um dia ela foi-me visitar à cadeia e pediu-me se lhe emprestava a chave cá de casa só para ela poder guardar uns produtos lá do salão e aproveitando-se do meu momento de fraqueza e reclusão e apesar de eu lhe ter dito para não me atravancar a casa com tralhas ela vai e muda-se de armas e bagagens para aqui e agora para conseguir pô-la fora vai ser um ver se te havias ainda maior do que foi da outra vez que a expulsei cá de casa.

 

Tenho andado aqui na net à procura de ideias e inclusive googlei "como se livrar duma Cátia" mas só me aparecem sugestões para quem se quer livrar de gatas e até ando um bocado chocada com o que as pessoas são capazes de fazer aos bichaninhos. Mas a Cátia não cabe propriamente dentro do micro-ondas nem dentro do contentor de lixo porque o daqui do prédio até é dos mais pequenos porque temos poucos inquilinos. Tentar afogá-la na sanita também é uma impossibilidade física dado o tamanho da bicha portanto se tiverem alguma sugestão mais adequada ao problema em questão é favor usarem o mail do blogue que é para isso que ele serve e não só para receber anúncios de como aumentar o pénis ou mailes de brasileiros extremistas amantes de bíblias que me querem ver de novo atrás das grades e me tratam como se eu fosse uma degenerada ou criminosa, coisa que não sou nem nunca fui apesar do infeliz incidente que me fez passar umas semanas dentro.

 

Bom mas voltando ao tema do post de hoje eu estive a sondar a net que é como quem diz ler em diagonal dois ou três dos blogues mais influentes e vi que está toda a gente a falar dos óscares e eu como não sou menos que as outras bloggers também quero dar a minha opinião mas já que estamos num sítio inclusivo e pela diversidade e liberdade e tudo isso eu vou apenas falar das actrizes lésbicas dos óscares.

 

1. Ellen Page

 

 

Esta miúda coitada parece que foi atropelada por um daqueles camiões TIRs que a deixou de cara à banda e estou mesmo a falar de veículos motorizados e não daquelas fufas que andavam no engate nos tempos áureos do Memorial. A miúda saiu do armário mas pode ter sido prematuro, ou então não a deixaram levar a namorada à cerimónia e ela foi assim como quem diz que vai mas toda a gente vai ficar a saber que vai contrariada. É pena porque ela até é das mais bonitinhas, e quando disse que era lésbica fiquei muito contente porque nós precisamos de mulheres bonitas no clube, enfim, há espaço para todas que aqui não descriminamos ninguém, mas uma ou outra estampa é sempre bom para melhorar o visual da caderneta de cromos.

 

2. Portia de Rossi

 

 

Eu peço perdão mas o que raio aconteceu a esta mulher? O que é que a Ellen lhe anda a fazer? A mulher parece uma versão da Betty Grafstein em mais nova, mas por este andar rapidamente chegará ao estado de sósia da socialite portuguesa que só não está presa por arames porque é dona duma empresa de diamantes, que se é para estar toda repuxada há que fazê-lo com estilo. Mas a Betty tem cem anos, enquanto que a Portia ainda é nova! Filha, o que se passa contigo? É a Ellen que te anda a tratar mal? Bem sei que ser mulher duma pessoa como ela, uma celebridade à escala global, não deve ser nada fácil até porque ela deve ter milhares de aspirantes a nova Mrs. Degeneres a atiram-se-lhe para a frente tipo capacho a dizer "pisa-me" mas ainda assim merecias melhor sorte. É uma pena que estejas tão longe, que um oceano e um continente inteiro nos separem porque senão ia-te aí bater à porta a perguntar o que se passa e se precisas de ajuda, sim porque nós temos que ser umas para as outras e eu sinto que te estamos a perder e não queria assim deixar-te ir sem lutar por ti!


3. Sarah Paulson

 

 

A cara desta mulher não me é nada estranha mas assim de repente não me lembro de onde a conheço. Coitada também parece que já viu melhores dias, os óscares este ano não favoreceram muito as actrizes lésbicas, onde é que anda a Jodie Foster quando mais precisamos dela?

 

4. Sandra Bullock

 

 

 

Ok, reconheço que a Sandrita nunca disse que era lésbica, mas parece-me que era a única sem parelha das actrizes nomeadas e eu tenho esta secreta esperança que desde que levou com aquele gigantesco par de cornos ela se decida a procurar um colo assim mais feminino e maternal. Já a vimos aos beijos com a Meryl Streep portanto aparentemente não há nenhum impedimento físico nem legal que a impossibilite de se assumir e eu cá gostava muito de a ter no clube, até a fazia sócia honorária com direito a cartão dourado e tudo! Só tenho pena que ela não tenha ganho nenhum óscar porque gostava de a ter ouvido falar, se bem que provavelmente ia agradecer à criancinha porque todos os que ganharam agradeceram aos filhos por serem uns anjos à face da terra e por serem tão bonzinhos e os fazerem querer ser melhores pessoas quando a gente sabe que as crianças é mais o contrário e eu falo por experiência própria porque aturei centenas delas ao longo dos anos.

 

Estes actores e actrizes devem passar tanto tempo com os filhos que se os virem uma vez por mês é uma sorte! As mães de crianças que me desculpem mas eu tenho aqui esta coisa atravessada desde que um desses demónios atirou qualquer réstia de decência pela janela fora, junto com o caderno e com uma caneta que era minha e que eu lhe tinha emprestado, com reluctância é certo, mas a criança tinha-se esquecido do material em casa e nas escolas públicas encontrar um lápis ou uma caneta é quase tão raro como descobrir uma moeda de ouro. Ainda por cima eu gostava muito daquela caneta, era da funerária Servilusa e deram-ma por alturas do funeral da minha tia Felismina e era muito catita porque tinha assim um caixão que flutuava num líquido azul e se a virássemos de cabeça para baixo o caixão desaparecia e caíam uma série de brilhantezinhos a imitar cinzas e eu ficava horas a olhar para aquilo, muitas vezes enquanto as crianças partiam a sala toda, putains das criancinhas, peço desculpa pelo uso do francês mas não quero que venham aqui parar ao blogue pessoas à procura de badalhoquices, se bem que assim como assim já ninguém fala francês a não ser talvez os franceses mas se eles vierem aqui parar espero que percebam que este blogue é de mulheres decentes e não dessas que esfrangalham a vida a troco de quase nada.

 

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publicado às 04:33

Relações sexuais com a Isilda Pegado

por Lucelia, em 20.02.14

 

Antes de tudo e mais alguma coisa tenho que pedir desculpas por esta minha ausência forçada que se explica assim em três penadas, ou seja eu estive presa e como na choldra não havia propriamente acesso à net e eu preferi não pagar a fiança porque assim sempre poupava uns tostões em luz, água e gás já para não falar da comida que cada vez que a gente se vira parece que aumenta tudo uns cêntimos e há quem possa dizer "o que são 2 cêntimos?" mas eu cá não posso porque tudo somado a conta dá sempre negativa. Ora e perguntam-me e muito bem porque razão eu estive presa mas agora não consigo ainda escrever sobre essa experiência traumatizante que foi não a prisão em si que até gostei de lá estar e fiz algumas amizades e tudo, mas sim o casamento da Zefa que acabou com tudo dentro e eu por enquanto não quero nem pensar nesse dia negro.

 

Mas dizia eu estive presa e a gente na prisão tem que se entreter com coisas porque se não damos em malucas, porque o espaço é assim a modos que exíguo e eu tinha uma vizinha que me fazia lembrar a Rosalina, com os terços e os santinhos e as orações aos beatos e beatas e isso tudo assim pendurado na parede e eu passava assim muito tempo a olhar para aquela parafernália mas como quando os homens me levaram não me deram tempo para ir a casa buscar os óculos eu não via nada a não ser uma nódoa no meio duma fotografia duma senhora de meia-idade bem compostinha e tudo com um casaco verde e assim com ar de moderna e arejada mas lá está aquele ponto negro ao lado do nariz aquilo encanitava-me sobremaneira até que um dia a vizinha Clementina lá me explicou que a senhora era mesmo assim, era um sinal que ela tinha e que lhe dava um ar da sua graça. Explicou-me também que a senhora era assim muito boazinha e gostava tanto de meninas e meninos que até se tinha proposto adoptar todas as criancinhas que nascessem de mães que tinham abortado nem que fossem para lá de cento e vinte mil alminhas que o país e a sociedade não se preocupassem porque o que fosse preciso ela tinha um canal directo ao papa e ele lhe daria tudo o que ela lhe pedisse tal era o poderio desta senhora. Claro que eu fiquei impressionada, quem não ficaria, esta mulher para além de boazinha devia ser podre de rica e eu aqui todos os meses a contar os tostões para pagar as contas!

 

Digamos que nestes dias todos que estive dentro desenvolvi assim uma espécie de obsessão com a Isilda Pegado e vai daí desatei a sonhar com a mulher a torto e a direito mas o que vale é que numa das últimas visitas a Micaela explicou-me que a Clementina tinha uma visão algo deturpada sobre ela e lá me contou as coisas tal como elas são e fiquei a saber que para além de daltónica a Isilda é homofóbica e má como as cobras para as pessoas lésbicas como nós. E eu vai e decidi escrever uma conversa que tive com ela em sonhos e vou já avisando que isto é tudo fruto da minha imaginação sedentária portanto não venham cá com coisas que ela me vai processar e o camandro porque antes disso eu é que a processava pelas coisas horríveis que ela tem andado por aí a dizer sobre mim e sobre todas as outras fufas que eu conheço e olhem que são muitas!

 

Eu – Dra. Isilda se me permite diga-me lá porque não gosta dos gays e das lésbicas? Não seremos filhos de deus iguais aos outros, a si?

Ela – Creeedo!! Claro que não! Na natureza não há cá disso, é tudo muito puro e virginal! Os animaizinhos só têm relações quando é para procriarem e os seres humanos têm que fazer igual, homens com mulheres como deus quer!

Eu – Se as relações fossem só para procriação porque razão acha que deus inventaria o orgasmo?

Ela – Isso não existe! É coisa do demo! O prazer está-nos vedado, é só para quando chegarmos ao reino de deus!

Eu – Mas os homens quando ejaculam têm um orgasmo...

Ela – Quem disse? Isso é blasfémia! É possível os homens reproduzirem-se sem terem prazer, é só não quererem ter! E se tiverem estão a incorrer em pecado e devem ir penintenciar-se o quanto antes!

Eu – Bom, vamos tentar outra abordagem. A senhora aqui há uns tempos disse que não conhecia nenhum homossexual?

Ela – Sim é verdade, não me dou com essa gente, creeeedo!

Eu – Mas sabe que há um tio seu que gosta de se vestir de mulher e até já participou no "lugar às novas" no Finalmente?

Ela – Não, não e não! Esse senhor já não pertence à nossa família e por mim é como se estivesse morto e enterrado!

Eu – E sabe que há uma colega sua do tempo do colégio de freiras que diz que teve relações sexuais com a Isilda Pegado?

Ela – Mentira! Calúnia! Essa víbora tinha mas era inveja de mim porque as freiras me acarinhavam muito mais do que a ela, levavam-me para a cama delas, davam-me festas, despiam-me, banhavam-me e depois passavam longas horas a elogiar a minha beleza e a cor rosácea das minhas partes íntimas e diziam-me Ildinha tu não deixes ninguém tocar-te, que ninguém sinta o aroma delicado e frutado do teu sexo a não ser nós, que te queremos tanto resguardar do mundo ímpio lá fora!

Eu – Errrrr....

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publicado às 18:31

A festa de despedida

por Lucelia, em 14.01.14

 

 

Preferia mil vezes não ter que admitir que nada disto me agrada minimamente porque tenho a certezinha absoluta que isto vai acabar mal ó se vai! É que se eu conseguisse mesmo prever o futuro nem saía da cama, e eu disse isso à Zefa quando ela me veio dizer que precisava de antecipar o casamento porque a namorada dela está grávida e ela sempre quis ser pai portanto resolveu aceitar toda a situação sem questionar e eu acho mal mas não vou dizer mais nada porque depois dizem que eu é que tenho este feitio que até parece que tenho que andar sempre a dizer mal de tudo e de todos e não é bem assim, eu só digo aquilo que vejo, se vejo melhor que elas olha paciência que vão pedir à Maria Antónia que lhes faça um desconto lá na óptica para ver se deixam de ter vistas curtas!

 

Bom mas voltando ao tema do casamento da Zefa eu até lhe disse que seria melhor esperar pela lei da co-adopção porque aquilo foi aprovado mas agora parece que há lá um moço que acha mal e quer voltar atrás com a lei e se fosse eu obrigava-o a assumir a paternidade do filho da namorada da Zefa para ele ver o que era bom para a tosse, agora impedir pessoas que querem ser pais e mães de o serem só porque a sementinha veio doutros lados, até parece que somos todos filhos biológicos dos nosso pais, há-de ser há-de que o meu irmão tem uma penca tal qual o Onófrio dos ferros velhos e só o meu pai é que nunca percebeu que um rapagão daqueles nunca poderia ter sido prematuro, mas ele nunca foi bom de contas e também nunca ninguém lhe quis dizer as coisas tal como elas são porque o meu pai era um homem tão bom e generoso que perfilhava qualquer coisa que saísse do ventre da minha mãe se ela lhe pedisse.

 

Mas a Zefa diz que sente o relógio biológico que é assim uma coisa que agora está muito na moda e toda a gente diz que ouve aquilo a bater dentro de si mas felizmente a mim é mal que não me aflige porque eu sempre soube que ter filhos era coisa que não me assistia. A Rosalina perguntou como é que tinha sido possível e a Zefa disse-lhe que tinha sido obra de Deus e ela até ficou um bocado chateada porque está farta de pedir a Deus que lhe mande criancinhas e Ele nada, mas à Zefa que nem vai à igreja nem nada pumba, toma lá uma criancinha que é para veres como Eu sou O que manda nisto tudo e gosto de todas por igual mas gosto mais dumas que outras que é sempre assim quando a gente acha que merece muito uma coisa quem recebe é a pessoa que está ali mesmo ao lado e se não fosse cá por umas coisas que eu sei mas a Rosalina não ia começar a achar que se calhar Deus é estrábico!

 

Com a pressa claro que não deu tempo para organizar uma despedida de solteira como a Zefa queria, ela sempre disse que se um dia se casasse agarrava em todas nós e levava-nos para Las Vegas, ou pelo menos a Badajoz, mas assim acabámos todas no restaurante Estrela do Demo que qualquer dia ainda me acusam de estar a ser patrocinada pelo dono mas não, acontece que o Sr. Vitor deve ser das poucas pessoas que ainda atura as parvoíces das fufas aqui da zona e quando a Zefa lhe disse que queria que ele fechasse o restaurante para a festa de despedida dela ele encolheu os ombros mas disse logo que sim porque assim como assim o negócio está fraco e nem as vendas dos vouchers o têm safado.

 

Foi assim que no sábado à noite rumámos para o restaurante, eu sempre de trombas porque tenho esta cara que não dá para disfarçar e se não concordo com uma coisa toda a gente há-de ficar a saber e se calhar é por isso que dizem que eu tenho mau feitio mas daqui a uns tempos voltamos a falar que eu não dou um tostão furado pela Zefa mais a namorada e um filho que ela deve ter arranjado lá pela clientela do bar de alterne onde trabalha. As outras calam-se todas muito bem caladinhas porque o que este gajedo quer é festas, e desde que haja comida e bebida à descrição por elas está sempre tudo bem.

 

E comida e bebida foi o que não faltou na festa da Zefa, e muito ruído e muita palhaçada e eu confesso que houve ali uma altura que até eu me ri quando a Micaela saca duma boneca daquelas insufláveis já toda cheiinha e diz à Zefa que é a última vez que ela pode pôr a língua noutros buracos que não os da namorada e vai a Idalete e enche os buracos de chantilly e diz à Zefa que é para aproveitar que aquilo ao menos é docinho e a Zefa como já tinha bebido um bocado vai e enfia mesmo a língua nos buracos e fica cheia de chantilly por todo o lado e o que me vale é que tirei umas fotografias com o meu telemóvel e vou guardá-las muito bem guardadinhas porque nunca se sabe quando é que vão dar jeito no futuro!

 

No próximo fim-de-semana é o casamento, e a Zefa teve o desplante de me dizer que não me convidava para madrinha porque não queria lá uma mulher de trombas a estragar o ramalhete mas mesmo assim quer que eu vá porque somos amigas desde que somos gente e sempre é um marco importante na vida dela. E perguntou-me o que é que eu achava de convidar a Micaela para madrinha da criancinha, e eu disse-lhe que achava mal porque a Micaela não tem cabecinha nenhuma e uma vez quis à força ter uma gatinha mas depois como não lhe ligava nenhuma e esquecia-se de lhe dar comida a gata passava os dias a miar como se a estivessem a esganar e um dia tiveram que chamar a liga da protecção dos animais e tudo porque o raio da bicha não se calava e a Micaela estava ausente em parte incerta. Mais valia a madrinha ser a Rosalina, porque apesar de tudo ela sempre quis ter criancinhas, enfim, se for uma menina talvez seja melhor não, talvez seja melhor ser a Salomé ou a Idalete, embora se fosse eu a escolher não queria nenhuma das minhas amigas para madrinhas de criancinhas nenhumas, não por serem fufas mas porque são todas um bocado destrambelhadas e estou mesmo a ver um dia perderem a criancinha por aí e termos que ir à polícia fazer queixa e explicar que a culpa é toda desta sociedade que permite que tipos que frequentam bares de alterne possam fazer filhos às funcionárias sem que nada lhes aconteça e depois são as amigas das namoradas que têm que levar com os filmes todos quando as coisas dão para o torto! Porque vão dar, ou não me chame eu Lucélia Maria das Rosas!

 

 

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publicado às 13:37

Fufas famosas - Daniela Mercury

por Lucelia, em 10.01.14

 

 

A pedido de muitas famílias, a bem dizer na realidade a pedido da Micaela que está zangadíssima comigo por ter revelado o segredo dela vou finalmente escrever sobre essa cantora brasileira famosérrima que é a incontornável Daniela Mercury. Dentro das cantoras fufas ela é talvez a única que é famosa à escala global, a não ser que outras cantoras populares brasileiras se assumissem como a Gal Costa, a Simone, a Zélia Duncan ou mesmo quem sabe a Joana.

 

E quem é a Daniela Mercury? Se precisam de perguntar é porque não vivem neste mundo e o melhor é mesmo voltarem à nave de onde vieram e seguirem sempre em frente por essa via láctea fora porque aqui não há espaço para quem não se curve perante uma das maiores deusas da MPB. A Daniela é assim tchan, não há palavras para a descrever, é maior que a vida, que o sol, que o amor, que o calor, é assim transcendental e se quiserem podem comprar o livro que a mulher dela escreveu e passar uma centena de páginas a lerem o quanto ela é enorme, linda, maravilhosa, um ser das estrelas, das luzes, de tudo e de todos o que eu até compreendo porque acordar todos os dias com um mulherão daqueles ao nosso lado não é para qualquer uma e isso deve mesmo fazer-nos andar por aí a debitar um montão de baboseiras a cada segundo da nossa miserável existência.

 

Mas que as meninas baianas são lindas disso não há a menor dúvida, nem precisava comprar o livro da Malu para saber. Eu a bem dizer não o comprei, ganhei-o num concurso da Net Rádio Católica, e antes que me venham dizer que a NRC não anda por aí a distribuir livros de fufas nojentas coisíssima nenhuma, o que eu ganhei foi uma entrada dupla para a Grande Revista à Portuguesa do Filipe La Féria só que o teatro de revista não faz o meu género portanto fui ao olx e troquei os bilhetes pelo livro da Mercury porque há que dizê-lo com frontalidade porque é uma grande verdade que os padres não gostam nada de fufas mas pelam-se por bichonas e quem disser o contrário está a mentir com quantos dentes tem!

 

 

 

Voltando ao livro da Malu se quiserem eu empresto, digo até dou a quem me pedir porque eu pensava que aquilo tinha mais substância, assim tipo que ela contasse que era namorada da assessora de imprensa da Daniela e que um dia ela as apanhou no camarim em pleno acto e que aquilo foi uma confusão tão grande que tiveram que chamar a guarda estatal, federal e florestal e os polícias municipais e nacionais e os bombeiros e tudo o mais para acalmarem a namorada atraiçoada que ninguém gosta de ser encornada, a Zefa que o diga que até parece que é mania das fufas andarem todas enroladas umas com as outras! Mas não, o passado das meninas foi todo branqueado e aquilo no livro é assim uma espécie de deserto cheio de folhos e fofuras e arco-irís cheios de brilhos cor-de-rosa segurados por anjinhos que cantam hinos ao amor e à bondade e ao carinho e a tudo o que é bom nesta vida, mas tanto assim também não, porque sinceramente aquilo é tanta purpurina que parece que se nos enfia na garganta e dá-nos vontade de vomitar, rosa, amarelo, trovão, isso se calhar era bonito mas como há bocado deu-me uma fomeca danada e estive a comer uma lata de lentilhas aquecidas com um bocadinho de azeite e alho porque não tinha mais nada para comer em casa parece-me que ir ao gregório agora não ia ser coisa boa para ninguém!

 

 

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publicado às 12:45

O meu segredo

por Lucelia, em 10.01.14

 

 

Bem sei que de repente parece que voltámos à época dos três Fs, Fátima, Futebol e Fado, pena que não haja um quarto F para Fufas mas um dia chegará o nosso tempo e nessa altura, ai nessa altura, se cuidem porque nós vamos arrasar!

 

Andei aqui na net a ver o que se passava por aí e parece que é só notícias do homem que morreu, tá bem que era bom de bola mas eu nem me lembro de o ver jogar se bem que o futebol nunca foi coisa que me despertasse algum tipo de interesse, e o segredo da outra que foi revelado há uma catrefada de anos mas agora parece que está exposto e ai que lindo que a menina tinha uma caligrafia tão certinha como se ninguém soubesse que antigamente se escrevessemos torto por linhas direitas apanhávamos tantas réguadas nos ossinhos das mãos que havia vezes que nem conseguíamos saber os dias dos meses porque aquilo era tudo altos, não havia buracos para os meses mais curtos nem nada!

 

Agora parece que se fala muito em segredos e anda tudo a contar os segredos deles e dos outros e eu então aproveito e como não sei se duro muito mais tempo porque hoje acordei assim com uma dor difusa que parece que vai e vem e quando vem é como se fosse uma onda a rebentar-se-me assim mesmo a meio da nuca e eu acho que isto é um sinal que a minha vida está por um fio por isso aqui vai disto! Eu… já… não sou virgem! Pronto, contei, está dito, está lançado e escrito este meu segredo que me consumiu durante tantos anos e podem vir agora insultar-me, crucificar-me, chamar-me de porca, promíscua e outras coisas a começar por "p" que eu não estou nem aí, ou por outra por enquanto estou mas acho que a coisa não está para durar por isso amanhã se eu não acordar mais desse sono profundo que é a morte lembrem-se que esta que vos escreve assumiu-se perante vós e partiu deste mundo cruel com a consciência tranquila de quem não deixou nenhum segredo por revelar!

 

O quê? Pensavam que o meu segredo era uma coisa banal tipo ser fufa? Ou algo mais escabroso como matar e comer criancinhas ao pequeno-almoço? Pois, lamento mas já não ser virgem é mesmo o pior erro que assumo nesta minha vida desregrada. E não vou contar pormenores da experiência por dois motivos, ele ainda está vivo e jurou-me que nunca ia contar a ninguém o que se tinha passado entre nós e até ver manteve a promessa se não eu já lá tinha ido partir-lhe a bengala do meu avô nas costas e olhem que aquilo é um cajado de pastor como já não se fazem há anos. E porque as minhas amigas iam ficar tão danadas comigo que em calhando deixavam de me falar e nesta hora em que me sinto assim quase à beira da morte quero partir rodeada por aqueles que mais amo, sem ressentimentos, sem raivas, sem rancores.

 

Podia contar o segredo da Zefa, que ela me disse um dia destes e eu encolhi os ombros, o que é que uma pessoa há-de fazer quando ela me diz que se ganhasse o euromilhões queria ir à Suíca fazer uma operação como aquele rapaz da casa dos segredos e mudar o nome para Zé Tibúrcio em homenagem ao bisavô que parece que era um homem de grande carácter e personalidade e parece que era mesmo o único homem competente da aldeia porque sempre que uma moça precisava de engravidar chamavam-no a ele e nunca deixou nenhuma cliente insatisfeita pelo que a Zefa tem centenas se não milhares de primos por esse país fora.

 

Ou mesmo o segredo da Micaela, porque houve uma altura que ela andava mesmo avariadinha da mioleira e resolveu mascarar-se de travesti e andava aí em bares a engatar homens gay mas a coisa ia dando para o torto porque quando eles percebiam que ela não era um homem, apesar de estar vestida de mulher, ficavam danados e ela arriscou-se muitas vezes a levar uma carga de porrada e a ficar sem dentes ou pior. É uma maluca aquela mulher, destrambelhada mesmo, do pior! Mas depois tem um coração gigante e acabamos sempre por a aceitar de volta mesmo não concordando com estes comportamentos desviantes dela.

 

Ai e os segredos da Rosalina, ai se se soubessem, mas esses não posso mesmo contar porque não só ela ia renegar a nossa amizade para todo o sempre como muito provavelmente a mãe expulsava-a de casa e nunca mais a deixavam entrar na igreja e ela ia acabar a fazer companhia aos sem-abrigo do centro de acolhimento da Torre de Pedras Duras e Escuras. É assim a vida, uns segredos a gente até conta e não vai daí grande mal ao mundo, outros temos que guardar para nós e levar connosco para o túmulo e deixar que se esvaneçam por aí dentro dos estomagozitos dos vermes que se ocuparem de nos esventrar duma forma ordeira e delicada, ou então não se formos cremadas, se calhar vou pedir à Salomé que me mande queimar, e depois que me ponham as cinzas numa urnazinha assim em cima da lareira de onde poderei continuar a presidir às reuniões do nosso clube, e assim me despeço com esta visão idílica diria que quase natalícia das minhas queridas amigas todas à volta da lareira em amena cavaqueira, respeitando o meu legado sáfico, coisas mais lindas!

 

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publicado às 09:40

Excursão à dancetaria

por Lucelia, em 08.01.14

 

 

Estávamos todas a pensar como iríamos comemorar este novo ano que agora começou quando alguém se lembrou que era giro irmos beber uns copos e relembrar os anos de juventude que passávamos nas matinés da danceteria Lido, sim porque só as fufas finas é que se podiam dar ao luxo de ir a Lisboa ao Loucuras, as da Rinchoa tinham que se ficar pela Amadora que sempre era mais perto e o Zé Maneta já nos conhecia desde os tempos da primária e deixava-nos sempre entrar sem pagar e em calhando ainda nos dava uns cupons para bebermos umas cervejas à conta desde que o deixássemos ver a Micaela e a Idalete darem uns beijos que isso na altura ainda me espantava como é que os homens se pelavam todos por uns beijinhos entre mulheres mas agora já sei que é mesmo da natureza deles e não há nada a fazer.

 

A Micaela que sabe destas coisas descobriu uma dancetaria à beira-rio que faz umas ladies nights que são assim umas noites onde as mulheres entram sem pagar e ainda lhes oferecem bebidas e quando se vai aquilo está sempre cheio de fufas porque se é para entrar sem pagar e ainda com bebidas à borla elas estão todas lá caídinhas. Agarrámos e fomos todas em excursão umas mais alegres que outras porque eu nestas coisas já vou assim a meio gás, dizem-me que é da idade mas eu acho que é mais porque ao longo dos anos desenvolvi este sexto sentido que vai o caminho todo a dizer-me que a coisa vai acabar mal e quando acaba passa o dia seguinte todo a dizer-me eu bem te disse, há-de haver um dia em que me hás-de dar ouvidos Lucélia Maria!

 

Ao início foi engraçado, aquilo estava cheio de pequenas que olhavam para nós com ar desconfiado, não devem estar habituadas a ver fufas da Rinchoa, ou então era por termos uns bons trinta anos a mais que elas. Mas elas estavam na boa e nós também, a beber bebidas baratas do chinês porque estes gajos também não são parvos e quando é à borla toca de despachar o que não se vende nas outras noites e eu nem gosto muito de abusar dessas coisas porque os rótulos está tudo em chinês e a gente nem sabe bem o que está lá dentro, vai-se a ver e até pode ser mata-ratos ou algo pior e no dia seguinte a gente acorda e nem sabe qual é nome da terra que nos viu nascer.

 

De repente olho em volta e vejo que falta a Micaela e andei ali um bom bocado pela pista à procura dela até que a vejo em amena cavaqueira com um simpático casal que não deviam ter mais de dezasseis anos e é só porque se me vierem perguntar eu digo que eles tinham ar de ser maiores de idade sim senhora! A miúda ria-se com aquele risinho nervoso e dizia à Micaela que nunca tinha beijado uma mulher mas tinha vontade de experimentar. E o rapaz a incentivá-la, sim experimenta que eu quero ver! A miúda lá consentiu e a Micaela que já devia ter uns copos a mais agarra-a e vai de começar logo a por-lhe a língua dentro da boca como se a miúda fosse mais uma das brasileiras lá do salão! Claro que ela começou aos gritos a dizer que não gostava daquilo, a Micaela ria-se, o rapaz ria-se, e a miúda toda danada olha a ver se tu também gostavas e ele que sim, claro que sim! A Micaela não vai de modas e agarra-se ao rapaz e enfia-lhe a língua e tudo mas este tá quieto que via-se que estava a gostar e não era nada pouco! Começa assim a ver-se-lhe aquilo a crescer-lhe entre as pernas e aí a miúda ficou mesmo histérica e desata às palmadas ao namorado que vergonha que descaramento estar assim agarrado a outra mulher nesses modos mesmo à frente dela!

 

Nisto aparece um segurança a dizer que tínhamos que nos acalmar porque se não ia tudo para a rua e a Micaela ofereceu-se para levar a miúda lá para fora para ver se lhe passava o nervosismo. E eu fui ter com as outras e disse que estava na hora de irmos embora e elas fulas porque ainda não tinham bebido tudo a que tinham direito mas às tantas foi melhor assim que estas bebidas do chinês o melhor é não se abusar muito delas. Chegámos cá fora e a Micaela nem vê-la, o que foi assim uma espécie de balde de água fria porque ela é que tinha trazido o carro e agora como é que íamos voltar para casa, sendo que àquela hora já não havia transportes e mesmo que houvesse ninguém tinha trazido dinheiro porque a ideia era ser tudo à borla até que a Nilda se lembrou que não estávamos muito longe dum centro para sem-abrigos que a Rosalina costumava frequentar em regime de voluntariado e lá fomos nós bater à porta para ver se nos podiam ajudar. O rapazito que lá estava olhou para nós e disse-nos que não éramos sem-abrigo e nós dissemos que tínhamos sido assaltadas e ele que tínhamos era que ir fazer queixa à polícia que ali não era a santa casa da misericórdia até que a Nilda lhe disse que éramos amigas da Rosalina Maria das Dores e ele lá concordou em ajudar-nos mas que disséssemos à Rosalina que em troca ela tinha que fazer um turno da noite e nós sim sim claro e ela sem saber e sem sequer ter ido já estava a ser entalada. Arranjou-nos uns beliches para passarmos a noite e deu-nos uns bilhetes de comboio com muitas recomendações para ficarmos quietas e caladas porque ali a clientela não era das mais recomendáveis. E assim passei o resto da noite que deveria ter sido de revivalismo dos nossos verdes anos entre os roncos dos sem-abrigo e os grunhidos da Idalete a dizer mal da minha vida e a pensar que nunca mais me apanham noutra!

 

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publicado às 09:22

Categorias de pardalecas

por Lucelia, em 29.12.13

 

 

Chegou a altura de falar de coisas mais íntimas até porque estava aqui a navegar na net e vi um texto sobre tipos de pardalecas e achei ora aí está uma coisa sobre a qual me posso pronunciar com conhecimento de causa. A pardaleca é assim um tópico que se evita por causa do pudor e porque as mulheres são todas muito púdicas à primeira vista porque depois de alguma conversa vai-se a ver e algumas são umas grandes malucas, nem todas claro porque há uma categoria que eu nem vou mencionar na minha lista que são as frígidas que são aquelas que não sentem nada nem que seja à força de marteladas.

 

As pardalecas têm donas mas às vezes não têm nada a ver com elas, a gente vai à espera de uma coisa e sai outra completamente diferente e é essa a beleza da coisa, se bem que na grande maioria das vezes a coisa não corre lá muito bem que é o mal de quem gosta de se guiar pelas suas expectativas como eu.

 

  1. As meninas do GPS:  estas são aquelas que precisam de estar sempre a dar indicações porque têm pardalecas muito selectivas que só permitem determinados tipos de toques e não é em todo o lado. Sinceramente estas não fazem o meu género porque depois de estar ali assim a ouvir mais à direita, mais à esquerda, mais para cima, agora mais para baixo intercalado com o ocasional NÃO! POR AÍ NÃO CONA CARALHO! que até parece que a gente acabou de entrar numa rua de sentido proibido, a gente só nos apetece pendurar-lhes uma tabuleta a dizer "faça você mesmo".
  2. As depiladas: estas são aquelas que acham que agora está na moda deixarem a pardaleca toda depenada e normalmente são brasileiras porque arrancar os pelos naquela zona doí prá chuchu e elas é que fazem esses sacrifícios em nome da beleza estética se bem que a mim faz-me impressão ver uma mulher crescida ali sem nada e de repente até sinto falta do ocasional pelito mesmo quando os danadinhos se enfiam pela glote adentro e depois para os tirar de lá é o cabo dos trabalhos. Estas às vezes ficam danadas porque gostam de perguntar o que é que você acha disso amorrr? E a gente como gosta de ser honesta diz eu não acho bem que você tenha sacrificado sua perereca dessa forma e elas ficam muito ofendidas e saem porta fora a dizer que as fufas portuguesas são todas umas mulheres de bigode que não se depilam e cheiram a cebola. E nós ficamos tristes porque de certa forma contribuímos para os mitos sobre a nossa classe que tão enraizados estão na nossa cultura popular.
  3. As farfalhudas: estas estão no lado oposto das depiladas, ou seja são aquelas que acham que o pelame deve crescer forte e saudável e então não lhe dão nem um cortezinho com medo que a sua pardaleca seja como o Sansão e perca o vigor e a força. Estas só me chateiam se aquilo for em demasia, isto é se a gente se sentir como naquele filme dos gorilas na bruma, assim no meio da selva à procura do caminho e às vezes cansamo-nos e desistimos e dizemos às miúdas que não temos espírito de exploradoras o que é uma pena porque destas infelizmente também há muitas e elas ficam chateadas e vão dizer às outras que nós somos umas parvalhonas e não percebemos nada da natureza feminina.
  4. As porcas: estas são uma variação das farfalhudas que felizmente só apanhei uma única vez o que quer dizer que as mulheres portuguesas até são muito higiénicas e ciosas do bem estar das suas pardalecas. Não digo que a pessoa esteja sempre a lavar-se com água de rosas até porque isso pode interferir com o pH da dita cuja que é uma coisa que não se deve alterar nunca porque se não ficamos com uma comichão danada e não é daquelas boas. Mas voltando à minha experiência única nesta categoria foi uma vez que eu e a Cátia nos zangámos e eu estava um bocado desesperada e a Idalete apresentou-me uma amiga dela que era a Irene e eu até lhe achei uma certa piada embora tivesse o cabelo assim todo enrolado numas coisas que eu pensava que eram tranças mas depois a Micaela disse-me que eram rastas. A rapariga realmente tinha um cheiro estranho mas eu decidi dar o benefício da dúvida mas rapidamente me arrependi quando ela começa a despir-se e eu vejo que a pardaleca fazia pandan com o cabelo para além de que cheirava a lixo de três dias e eu disse-lhe logo que não conseguia tocar-lhe nem que tivesse um pau de dois metros. Ela ficou muito chateada e começou a dizer que era ecologista e vivia de acordo com as regras da natureza e que até parece que na altura do Paleolítico havia bidés e ninguém se queixava! E eu pensei que se calhar os hominídeos quando se encontravam e desatavam aos uga bugas se calhar estavam era a dizer olha lá a tua mulher cheira pior que a carne podre daquele mamute que caçamos na semana passada!

 

Haveriam muitas mais categorias para incluir mas agora não tenho tempo porque tenho que ir arrumar as traquitanas no calhambeque para regressarmos à Rinchoa antes que a tia Hermínia volte à carga e me venha aqui aspergir o portátil com água benta que até estou com medo que a máquina não resista a tanta benção!

 

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publicado às 09:35

O Natal na terra

por Lucelia, em 28.12.13

 

 

É que tenho alguma dificuldade em escrever sobre algo que me diz tão pouco se não fosse ter acontecido uma coisa que não era para acontecer. O Natal na terra resume-se a três palavras: frio, mais frio e ainda mais frio. E como se sabe o frio leva as pessoas a fazerem parvoíces porque o sangue concentra-se nos membros para que não caiam de enregelados e depois ficamos sem discernimento para tomar as decisões certas. Tudo começou ao jantar quando a tia Hermínia começa a fazer as perguntas do costume ó filha quando é que te casas? Olha que não vais para nova! E queres que eu ligue ao Hermenegildo que está viúvo desde que a mulher morreu ao parir o décimo terceiro filho? E eu a responder não tia deixe estar, já lhe expliquei várias vezes que não gosto de homens. E se pudesse mostrava-lhe uma foto da Adriana Lima para ver se ela percebia porque aquela mulher diabólica é de virar qualquer coisa que se mexa e quem diz o contrário está a mentir!

 

 

 

 

E as minhas primas com aquele risinho nervoso e o tio Aires a rir-se muito com aquela boca toda desdentada e a dizer porque é que eu não dava um beifinho à minha namorada e eu a dizer que a Cátia não era minha namorada, já tinha sido sim mas agora éramos só amigas e mesmo que não fossemos eu não ia estar ali a dar beijos nela à frente dos tios mesmo que o tivéssemos feito à frente do Zé Miguel camionista mas isso foi numa situação de desespero extremo. E a tia já a ficar enervada com a conversa e a dizer que ainda bem que a minha mãezinha já não era viva para assistir àquilo, eu e o meu irmão éramos uns degenerados e a culpa era dela porque nunca teve mão em nós porque se tivéssemos sido filhos da tia ela ia-nos endireitar nem que fosse recorrendo à violência física e eu a dizer olhe que não é assim tia, as pessoas nascem com isto! Nem sei para quê porque nessa altura ela já só rezava e dizia ó Aires vai-me buscar o padre que a nossa casa está amaldiçoada e ele tem que vir cá benzê-la!

 

E não sei se foi disso ou da conversa mas sei que olhei para a Cátia e ela viu logo que eu estava com a pardaleca aos saltos porque estas coisas vão sem terem que se dizer e só sei que nessa noite por baixo das mantas bafientas eu e a Cátia fizemos sexo como não fazíamos há muito de tal forma que ela agora tá convencida que vai voltar lá para casa e eu ainda não tive coragem para lhe dizer que eu não posso ficar refém de um momento de fraqueza ainda que tenha sido um momento daqueles que já não acontecem com muita frequência na vida duma mulher de mais de cinquenta anos.

 

E agora deixo aqui um excerto que foi mais ou menos o que se passou entre nós de um texto da minha prima Miranda que diz que é escritora e está com a mania que não nos conhece de lado nenhum desde que se mudou para a Alta de Lisboa e diz que agora só se dá com pessoas de renome e não com umas fufas manhosas da Rinchoa. Há-de cá vir pedir batatinhas que eu digo-lhe! Mas nestas coisas do sexo ela escreve melhor que eu mesmo que seja uma parvalhona de primeira apanha.

 

"Aproveitamos a saída dos adultos para a missa e fugimos para o esconderijo que tínhamos previamente preparado. Eu tinha encontrado uma braseira no sotão de casa de uma das minhas avós e Joana tinha levado cobertores que espalhamos no chão do quarto dos seus irmãos mais velhos que já não moravam ali. A cama era velha mas o colchão sempre providenciava mais conforto do que o chão de madeira velha pelo que arrastámos o colchão até perto da braseira para nos mantermos quentes enquanto durasse a nossa entrega mútua de presentes. Joana tinha conseguido roubar uma garrafa de cidra a um dos seus tios e começamos por brindar a nós, ao nosso primeiro Natal juntas, e àquilo que seria a nossa primeira noite de amor. Eu já tinha alguma experiência, a Joana não, por isso fui eu que lhe tirei o copo da mão e suavemente a empurrei de encontro ao colchão onde nos tínhamos sentado. Sentindo os seus olhos sorridentes em mim aproximei-me e comecei a desapertar-lhe os botões da camisa, inebriando-me com o seu cheiro quente e doce à medida que aproximava a minha cara dos seus pequenos seios redondos e perfeitos.


Há momentos que queremos preservar igual, parar o tempo, sentir o mesmo durante muito mais do que aqueles breves segundos em que a minha boca tocou na pele macia dos seios de Joana e alguma coisa se iluminou dentro de mim. Senti o calor a espalhar-se da minha língua para a minha boca, descendo pelos meus seios até atingir em pleno o meu sexo quente e molhado. Despi Joana por completo para finalmente conseguir contemplar o seu corpo ali deitado em oferta merecida e conquistada por mim.

 

Não queria atemorizá-la, sabia que ela nunca tinha sido tocada, prossegui da forma mais gentil que consegui, acariciando-a e beijando-a à medida que a minha boca descia pela pele macia da sua barriga. Aqueles eram os primeiros caminhos do prazer no corpo de Joana, traçados por mim que a amava mais do que a própria vida! Tinha que ser tudo memorável, uma experiência única que jamais seria esquecida por ambas!

Joana não teve medo e entregou-se totalmente a mim, abrindo as pernas e deixando-me escorregar até chegar bem perto do seu sexo. Olhei-a e vi o assentimento pleno que me convidava a avançar por isso o fiz, milimetricamente, célula a célula, até passar a barreira da penugem, atravessando-a primeiro com os dedos e depois com a língua. Fechei os olhos para sentir e saborear mais intensamente aquele momento tão bom. Joana sabia a... uma mistura de... maçãs com compota de framboesas... mas com um cheiro intenso a flores... jasmins... orquídeas... algo de indiscutivelmente bom! Eu sentia que ela estava a gostar do prazer assim proporcionado, pela forma como o seu corpo se mexia e o seu sexo se levantava de encontro à minha boca expectante e desejosa de saborear mais ainda. E eu era a primeira a provar o sabor de Joana e saber que nunca ninguém tinha chegado ali servia como combustível para a minha já de si intensa excitação!

 

A minha língua continuava a dançar à volta do interior do sexo de Joana, passeando-se pelas bordas, sorvendo aquele sabor intenso e perfumado, tão doce... até que ouvi Joana a gemer, senti o seu corpo tremer e de repente a minha recompensa chegou na forma de um líquido espesso e abundante, transparente e tão doce como o mel. Inundou-me a boca, o queixo, o pescoço, transbordou-me até aos seios, fiquei coberta do néctar puro e doce da virgem que se tinha deixado possuir e deixei que os meus poros absorvessem a santidade dele e do momento! Inebriada que me encontrava pelo cheiro do sexo de Joana nem me apercebi que ela já se tinha apoderado do meu e vigorosamente me arrancava das entranhas um inesperado orgasmo poderoso e profundo! Assim as duas baptizadas uma pela seiva da outra nos enrolamos nos cobertores a beber cidra e a rirmos daquilo que tínhamos feito e que nos tínhamos dado nessa noite de Natal."

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publicado às 08:53

Troca de prendas do Clube Safo - parte 2

por Lucelia, em 25.12.13

 

Finalmente consegui ter um bocadinho para vir aqui contar como correu a nossa troca de prendas de Natal, só espero que a net não se vá abaixo porque isto aqui na terrinha parece que é tudo ainda do tempo das manivelas e deve ser por isso que ninguém sabe o que é a fibra mas também ninguém reclama porque enquanto os homens vão para os copos elas juntam-se todas à volta da lareira a fazer malha e a dizerem mal dos maridos.

 

Bom mas então no início da semana como combinado juntámo-nos todas em minha casa para o nosso evento natalício que eu esperei que corresse dentro do que se espera nesta altura do ano, ou seja os amigos e família juntam-se para trocar prendas que a gente vê logo que são coisas recicladas mas agradece muito na mesma e ah e tal que vela tão bonita e que naperon tão bem feito e pensamos que já o tínhamos visto em cima da televisão em casa da pessoa e por aí fora.

 

Mas as meninas este ano resolveram ser originais, excepto a Rosalina que todos os anos oferece sempre o mesmo a toda a gente e eu devo ter um baú cheio até cima das tralhas que ela me vai dando e que vêm das vendas de Natal lá da igreja. O meu presente este ano foi precisamente um desses naperons bordados com uns dizeres alusivos à época que eu agradeci muito e pensei que ia directo fazer companhia aos outros no baú.

 

 

 

Depois foi a vez da Salomé e fui eu que lhe dei a prenda e comprei-lhe assim uns guizos para ela pendurar nas coleiras dos gatos que vendo bem não servem para nada a não ser para fazer um barulho um bocado irritante mas como deixei a compra da prenda para a última hora já havia muito pouca escolha na loja do chinês. Ela agradeceu mas vi bem que olhou para aquilo com ar de quem vai enfiar os guizos no baú e até é melhor assim porque ela afinal sempre é minha vizinha e depois com a barulheira nem ela dormia nem eu!

 

 

 

Quando chegou à vez da Micaela eu comecei a ficar nervosa porque percebi que as coisas estavam a descambar. Ela recebeu assim uma campainha a dizer "Ring for Sex" que é como quem diz toca e chama o sexo e ela riu-se muito porque desde que acabou com a Nilda a mulher parece que anda doida e marcha tudo desde que tenha um bom par de mamas e uma pardaleca a condizer.

 

A Idalete recebeu um rolo de papel higiénico do kamasutra lésbico que aquilo era uma pouca vergonha mas ela gostou tanto que se levantou logo e disse que lhe tinha dado uma vontade súbita de ir à casa de banho o que eu não gosto nada que aconteça em minha casa porque se têm vontade que façam antes de vir que a meu ver até é falta de educação chegar a casa doutra pessoa e arrear o calhau e deixar a casa empestada durante horas a fio.

 

A Zefa estava toda contente porque a prenda dela era a maior de todas mas quando abriu e viu uma enorme pila preta com um papelinho agarrado em baixo a dizer "para quando tiveres vontade de coçar os tomates" deu-lhe uma fúria daquelas épicas e desata a atirar coisas à cabeça da Micaela e da Idalete que se riam como umas perdidas e o que vale é que agarrou numas figurinhas de porcelana que a Rosalina me tinha oferecido e que só estavam ali porque ela andava por aí a dizer que eu não gostava das prendas dela e eu disse que era mentira e até gostava das figurinhas das criancinhas com umas bolas e uns balões que pareciam do século passado mas até não me importei quando aquilo ficou assim tudo feito em caquinhos.

 

 

O único problema é que nem tive tempo de limpar a casa porque assim que elas saíram tive que ir a correr buscar as minhas primas que estavam fartas de me mandar mensagens a perguntar onde é que eu andava porque queriam ir para a terra e não queriam chegar lá de noite. Peguei na Cátia e no calhambeque e lá fomos pela estrada nacional fora até que quando estávamos quase a chegar aquilo desata aos soluços e aos coices e ficou-se mesmo no meio da estrada. Eu e a Cátia conseguimos empurrar a carripana até à berma enquanto as minhas primas se sentavam numas rochas a reclamar e a mandar mensagens às amigas e pôr posts no feicebuque a dizerem onde estavam como se aquilo servisse para alguma coisa porque ali no fim do mundo e com o frio que estava até parece que ia aparecer alguém para nos ajudar.

 

Foi aí que me arrependi de não ter ido pela auto-estrada porque apesar das portagens estarem pela hora da morte se há algum azar vêm logo uns senhores dizer que a gente não pode estar ali paradas e nós dizemos que não conseguimos pôr o carro a trabalhar e eles bufam mas mandam vir alguém para reparar a avaria porque os outros utentes também pagaram para usar aquela via que deve estar sempre livre e desimpedida e sem um grupo de mulheres à beira dum ataque de nervos na berma da estrada.

 

Na estrada nacional já quase ninguém passa a não ser o ocasional camionista que pára só para nos perguntar qual é o preço da mamada. Nós ao início ainda ficávamos indignadas com aquilo e eu dizia para eles seguirem em frente que na próxima curva costuma estar a Amélia Zarolha que lhes fazia o servicinho por um preço em conta. Mas ao fim dumas horas ali ao frio e à chuva quando pára o Zé Miguel da tia Alice e nos pergunta se lhe fazemos uma mamada nós já com o desespero que levávamos dissemos que sim mas ele tinha que nos pôr o carro a andar. Não foi fácil negociar com ele, para além da mamada tivemos que lhe dar uma cena lésbica de bónus e por fim ele lá concordou e desempanou-nos o carro enquanto a Cátia entrava em acção de joelhos no chão. Coitada da rapariga que teve que se prestar àquilo mas como ela se recusou a contribuir para as despesas da viagem acho que ficámos quites!

 

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publicado às 08:50

Excursão à Assembleia da República

por Lucelia, em 19.12.13

 

 

 

Não sei de quem terá sido a ideia peregrina, se calhar até foi minha, mas resolvemos ir fazer uma manifestação em frente à Assembleia para reclamar contra aqueles senhores que agora querem fazer um referendo para perguntar ao povo se as lésbicas e os gays podem adoptar crianças como se o povo quisesse saber disso para alguma coisa. Não é que alguma de nós queira adoptar, mas nunca se sabe se no futuro teremos alguma sócia que o queira fazer e nós assim já cobrimos todas as bases mesmo que de momento sejam bases fictícias.

 

Lá fomos nós, um bocado desfalcadas porque há sempre umas que dizem que têm mais do que fazer do que ir reclamar direitos que a elas não lhes dizem nada e ainda por cima nesta altura do ano em que as mulheres querem é ir todas para as compras de Natal e é por isso que não se pode entrar em lado nenhum porque está tudo à pinha.

 

Chegámos à escadaria e ficamos ali assim um bocado só a gritar palavras de ordem tipo "somos fufas, não somos bruxas" e "temos muito amor para dar, queremos criancinhas para adoptar" e coisas assim. E ninguém nos estava a ligar nenhuma porque parece que ultimamente tem havido muita gente a ir para a frente da Assembleia gritar impropérios contra os senhores que lá estão até que a Idalete que gosta muito de chamar a atenção começa a despir-se até ficar de mamas ao léu! Claro que nessa altura vem logo um dos polícias lá de cima muito irritado a dizer ó minha senhora não pode estar aqui nesse estado! E ela a rir-se porque ao menos estava a causar alguma comoção e já podia contar às outras que tinha sido vítima de violência por parte das forças da autoridade. O polícia mandou-nos dispersar porque não podíamos estar ali a fazer uma manifestação não autorizada e depois de convencermos a Idalete a vestir-se lá viemos embora um bocadito desanimadas porque a coisa não tinha corrido como queríamos e nem chegámos a prestar uma declaração aos meios de comunicação social nem nada, mas ainda bem que não apareceram porque ver as mamas descaídas da Idalete na televisão era coisa para provocar um ou outro ataque cardíaco de puro terror.

 

Já vínhamos a meio caminho quando demos por falta da Rosalina que na altura da manifestação e sem ninguém dar por nada resolveu enfiar-se na casa da Amália e eu devia ter desconfiado quando ela disse logo que vinha connosco porque ela normalmente não alinha nestes programas e quando vem dá sempre asneira, como foi daquela vez que organizámos um piquenique na serra de Sintra e quando demos por isso ela tinha-se evaporado e mais uma moça duma excursão de escuteiras que estava ali ao lado e que tenho a impressão que devia ser menor porque a chefa começou aos gritos a dizer que ia fazer queixa à polícia e foi uma escandaleira danada na zona até que a Rosalina foi pedir ajuda ao padre e o caso foi abafado.

 

Voltámos para trás e eu fui falar com o polícia para lhe dizer que precisávamos de ajuda porque uma das nossas amigas tinha desaparecido e podia ter sido raptada e ele só dizia que não era assim porque primeiro tínhamos que esperar 24 horas e só depois podíamos ir à esquadra para fazer um relatório sobre o desaparecimento da pessoa amada e tinha que ser um familiar da desaparecida e não uma pessoa qualquer como se eu fosse uma qualquer e não conhecesse a Rosalina praticamente desde que ela nasceu!

 

Sentámo-nos na escadaria e resolvemos esperar, ou por outra eu resolvi esperar porque a Rosalina é muito minha amiga apesar de ser beata, porque as outras queriam todas ir-se embora e a Zefa estava danada porque não pensava que a manifestação fosse durar tanto tempo e não tinha trazido um farnel nem nada. Às tantas lá aparece a Rosalina toda contente a dizer que tinha estado em comunhão espiritual com a sua diva, parece até que se deitou na cama dela e tudo, e agora ainda queria ir à feira de Natal da associação novo futuro porque havia uma na igreja que tinha para lá uma banca e estava a vender uns naperons assim com umas cornucópias coloridas e ela tinha dito para lhe guardar uns dois ou três para oferecer às amigas no Natal.

 

Claro que as outras lhe iam batendo porque enquanto nós estivemos ali ao frio e à chuva a lutar pelos nossos direitos ela esteve no bem bom a ver os recuerdos da Amália, e os vestidos e os xailes e os discos de ouro e as menções honrosas e demais distinções e aquilo só parou quando apareceu de novo o polícia a dizer que o melhor era sairmos dali na hora porque se não íamos todas passar a noite na esquadra o que não me dava jeito nenhum porque ainda queria passar no talho do Sr. Fernando a ver se ele me avia umas asinhas de frango para eu levar para a terra porque lá não conheço ninguém e ele por enquanto ainda mas vende fiado e ainda posso descontar uns pontos que tenho num cartão cliente que a Zefa me emprestou. 

 

 

 

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publicado às 08:38


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