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Excursão à Assembleia da República

por Lucelia, em 19.12.13

 

 

 

Não sei de quem terá sido a ideia peregrina, se calhar até foi minha, mas resolvemos ir fazer uma manifestação em frente à Assembleia para reclamar contra aqueles senhores que agora querem fazer um referendo para perguntar ao povo se as lésbicas e os gays podem adoptar crianças como se o povo quisesse saber disso para alguma coisa. Não é que alguma de nós queira adoptar, mas nunca se sabe se no futuro teremos alguma sócia que o queira fazer e nós assim já cobrimos todas as bases mesmo que de momento sejam bases fictícias.

 

Lá fomos nós, um bocado desfalcadas porque há sempre umas que dizem que têm mais do que fazer do que ir reclamar direitos que a elas não lhes dizem nada e ainda por cima nesta altura do ano em que as mulheres querem é ir todas para as compras de Natal e é por isso que não se pode entrar em lado nenhum porque está tudo à pinha.

 

Chegámos à escadaria e ficamos ali assim um bocado só a gritar palavras de ordem tipo "somos fufas, não somos bruxas" e "temos muito amor para dar, queremos criancinhas para adoptar" e coisas assim. E ninguém nos estava a ligar nenhuma porque parece que ultimamente tem havido muita gente a ir para a frente da Assembleia gritar impropérios contra os senhores que lá estão até que a Idalete que gosta muito de chamar a atenção começa a despir-se até ficar de mamas ao léu! Claro que nessa altura vem logo um dos polícias lá de cima muito irritado a dizer ó minha senhora não pode estar aqui nesse estado! E ela a rir-se porque ao menos estava a causar alguma comoção e já podia contar às outras que tinha sido vítima de violência por parte das forças da autoridade. O polícia mandou-nos dispersar porque não podíamos estar ali a fazer uma manifestação não autorizada e depois de convencermos a Idalete a vestir-se lá viemos embora um bocadito desanimadas porque a coisa não tinha corrido como queríamos e nem chegámos a prestar uma declaração aos meios de comunicação social nem nada, mas ainda bem que não apareceram porque ver as mamas descaídas da Idalete na televisão era coisa para provocar um ou outro ataque cardíaco de puro terror.

 

Já vínhamos a meio caminho quando demos por falta da Rosalina que na altura da manifestação e sem ninguém dar por nada resolveu enfiar-se na casa da Amália e eu devia ter desconfiado quando ela disse logo que vinha connosco porque ela normalmente não alinha nestes programas e quando vem dá sempre asneira, como foi daquela vez que organizámos um piquenique na serra de Sintra e quando demos por isso ela tinha-se evaporado e mais uma moça duma excursão de escuteiras que estava ali ao lado e que tenho a impressão que devia ser menor porque a chefa começou aos gritos a dizer que ia fazer queixa à polícia e foi uma escandaleira danada na zona até que a Rosalina foi pedir ajuda ao padre e o caso foi abafado.

 

Voltámos para trás e eu fui falar com o polícia para lhe dizer que precisávamos de ajuda porque uma das nossas amigas tinha desaparecido e podia ter sido raptada e ele só dizia que não era assim porque primeiro tínhamos que esperar 24 horas e só depois podíamos ir à esquadra para fazer um relatório sobre o desaparecimento da pessoa amada e tinha que ser um familiar da desaparecida e não uma pessoa qualquer como se eu fosse uma qualquer e não conhecesse a Rosalina praticamente desde que ela nasceu!

 

Sentámo-nos na escadaria e resolvemos esperar, ou por outra eu resolvi esperar porque a Rosalina é muito minha amiga apesar de ser beata, porque as outras queriam todas ir-se embora e a Zefa estava danada porque não pensava que a manifestação fosse durar tanto tempo e não tinha trazido um farnel nem nada. Às tantas lá aparece a Rosalina toda contente a dizer que tinha estado em comunhão espiritual com a sua diva, parece até que se deitou na cama dela e tudo, e agora ainda queria ir à feira de Natal da associação novo futuro porque havia uma na igreja que tinha para lá uma banca e estava a vender uns naperons assim com umas cornucópias coloridas e ela tinha dito para lhe guardar uns dois ou três para oferecer às amigas no Natal.

 

Claro que as outras lhe iam batendo porque enquanto nós estivemos ali ao frio e à chuva a lutar pelos nossos direitos ela esteve no bem bom a ver os recuerdos da Amália, e os vestidos e os xailes e os discos de ouro e as menções honrosas e demais distinções e aquilo só parou quando apareceu de novo o polícia a dizer que o melhor era sairmos dali na hora porque se não íamos todas passar a noite na esquadra o que não me dava jeito nenhum porque ainda queria passar no talho do Sr. Fernando a ver se ele me avia umas asinhas de frango para eu levar para a terra porque lá não conheço ninguém e ele por enquanto ainda mas vende fiado e ainda posso descontar uns pontos que tenho num cartão cliente que a Zefa me emprestou. 

 

 

 

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publicado às 08:38


1 comentário

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De Zefa a 25.12.2013 às 11:37

Da próxima só vou se houver lanche!

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