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Mitos das fufas – a promiscuidade

por Lucelia, em 28.11.13

 

 

Antigamente achava-se que as lésbicas eram aquelas mulheres que se andavam a esfregar umas todas nas outras sempre que tinham oportunidade e iam à casa de banho todas juntas. Afinal se demoravam lá tanto tempo dava para se vestirem e despirem umas quatro ou cinco vezes e nos entremeios encaixarem uns joguinhos entre elas. Depois vinham uns assim da moral e dos bons costumes dizer que elas eram todas umas porcas e umas devassas e que deviam ir várias vezes à igreja benzer-se muito para ver se aquilo passava. E a gente nem tugia nem mugia mas sempre que surgia alguma ameaça logo nos descartávamos que nem pensar não senhora que nós somos raparigas sérias e não como essas promíscuas que tanto se esfregam que até parece que têm sarna!

 

Mas agora que já estamos nos tempos modernos já podemos falar nisto abertamente e deitar por terra esse mito da fantasia masculina que é a lésbica oferecida. Pois nós não somos nada disso, pelo menos aqui as da Rinchoa, que se pensam que temos uma vida assim interessante e colorida cá vai o relado dum diazinho assim normal duma lésbica de meia-idade para verem onde é que entram os esfreganços que da última vez que parei para pensar já nem me lembro de quando foi!

 

Eu em geral acordo cedo, não porque tenha que estar em algum lado a uma hora fixa mas porque o corpo assim a modos que pede algum tipo de actividade mas nada de muito violento que os meus despertares são assim vagarosos. Pois tomo o meu cházinho com torradas, variando entre a manteiga e o doce conforme o orçamento mensal, e depois de um duche matinal que neste tempo não dura mais que uns minutos porque há-que poupar na água e no gás, vou dar as minhas voltinhas da praxe. Vou fazer os meus pagamentos ao banco que eles lá são tão simpáticos comigo e é sempre bom começar a manhã rodeada de sorrisos! Depois vou à mercearia do bairro e é só por respeito à memória da minha mãe que fico ali um pedacito sentada à beira da que foi sua melhor amiga, a D. Júlia, que nos dias melhores ainda me trata por menina e me passa para as mãos um saquinho com bolachas.

 

Depois vou ao talho pedir ao Sr. Fernando para me dar umas lascas de perú, sim que isto hoje em dia a carne está pela hora da morte, e mesmo assim tenho que insistir que me ponha das partes mais tenras porque ainda aqui à dias me parece que pôs para lá um bocado de osso que me ia partindo um dente. Eu gosto do Sr. Fernando porque é dos poucos aqui do bairro que ainda vende fiado mas ele já me disse no outro dia que essa modalidade de pagamento estava por um fio porque as finanças depois querem que ele lhes mostre a relação dos activos com os passivos, mas confesso que esta parte não percebi muito bem que eu nunca fui boa de contas. Fiquei foi um bocado aflita porque o fiado dava-me jeito porque assim pago-lhe sempre no dia em que vou levantar o dinheiro da baixa aos correios.

 

Depois das voltinhas matinais e já com uma certa larica volto para casa onde preparo o meu almoço e já chegámos ao meio do dia e ainda nem um bocadinho de pele à mostra, se não contarmos com a maluca da Idalete que de vez em quando se lembra de deixar a janela da casa de banho aberta só que aquilo foi mal pensado e vê-se tudinho sempre que ela entra e sai do poliban que é uma vergonha e ela até sabe mas diz que não se importa porque sempre alegra as vistas de quem passa e eu cá acho que a Idalete deve ter um problema qualquer no espelho porque isso era dantes, sim senhora confirmo que ela era uma miúda espigadota mas bonita e bem jeitosa! Se ela visse o ar de quem vai na rua distraído e depois de repente vê a Idalete em todo o seu esplendor, com aquilo assim o peito todo descaído que a idade com ela foi muito madrasta, e pasmos ficam pois mas é de puro terror!

 

Depois então de lavar as minhas loiças e deixar tudo arrumado começo a pensar onde vou passar a minha tarde que nesta altura do ano tem muito a ver com as que ainda se podem dar ao luxo de ligar os radiadores e pagar as contas de electricidade, uma vez que eu já não posso porque depois tinha que escolher entre o pacote da tv net e telefone ou ter a casa sempre quente e eu até dispensava coisas do pacote mas um dia liguei para o atendimento comercial e eles disseram que não que aquilo era tudo indissociável que às vezes parece que usam palavras caras só para nos baralhar. Sim porque eu até me expliquei bem e disse que a tv nem queria, tirando um ou outro canal só porque às vezes me dá vontade de ver uma ou outra novela. Para que preciso eu de cento e tal canais? perguntei eu ao rapaz mas a isso ele já não me soube responder e perguntou-me só se estava interessada em aderir ao 24h na cozinha e eu até parece que tá parvo, eu que vivo sozinha à tanto tempo agora ia-me pôr aqui a ver programas de culinária de manhã, de tarde e de noite!

 

A net é que me dá um jeito danado e isso eu não abdico porque as series e o youtube e o feicebuque e o skype e isso tudo e ter a Tininha aqui sentada ao meu lado de vez em quando, mas tudo no maior dos respeitos porque ela  é como se fosse minha sobrinha! E o telefone vá que o rapaz lá me disse que era de borla porque vinha assim no pacote e eu quase não uso mas como vivo sozinha se um dia se acaba a bateria do telemóvel que ele não anda assim muito certo eu preciso do telefone para estar contactável.

 

Depois de escolher quem me vai aquecer, mas não da forma dessa que estais a pensar, lá vou eu, e com sorte levo o pacotinho das bolachas que a D. Júlia me deu e se a Salomé não estiver em casa é uma chatice porque essa mora mesmo aqui ao lado e com este frio não me apetece estar a enrolar-me em casacos! Damos dois dedos de conversa, às vezes vemos uma série, e o que é bom mesmo é quando ela tem lá daqueles liquores da terra, ui com este frio o que aquilo escorrega bem! É mais uma vantagem de escolher a Salomé porque uma vez apanhei uma tosga com um licor de ameixa em casa da Zefa que mora mesmo na fronteira entre a Rinchoa e a Tapada das Mercês e depois foi um ver-se-te havias para chegar até casa porque há ali assim umas zonas muito escuras e o meu telemóvel não tem aquilo do gê-pê-ésse.

 

E a Salomé gosta muito de conversar e conta-me sempre tudo o que se passa no bairro o que é uma vantagem porque assim eu sei sempre quem anda danada com quem e não meto o pé na argola como daquela vez em que a Zefa apanhou a namorada enrolada com a brasileira do restaurante do Sr. Vitor e eu que não sabia de nada fui-lhe perguntar se ela estava danada porque lá os do Rouxinol lhe tinham dito que a data que ela queria para a festa de casamento já estava ocupada e se vissem os modos com que ela me olhou! E eu sem perceber nada até que a Rosalina me puxou assim de lado e me disse que o casório estava vai não vai para voar pela janela junto com a namorada e a brasileira e eu fula da vida e porque é que ninguém me disse nada e sou sempre a última a saber destas coisas?  É o que eu digo, todas têm telemóvel e telefone fixo em casa, já para não falar dos computadores sempre ligados no feicebuque mas mandarem-me uma mensagenzinha a avisar é que nada! Da próxima vão ver, quando souber de alguma coisa não lhes conto nada e quem se vai ficar a rir sou eu!

 

Mas isso como eu dizia, os licores e as conversetas é nos dias bons, porque  nos outros passo a tarde entretida a ver séries e a ver assim as coisas que as minhas amigas publicam na net e de resto são assim muito desinteressantezinhos os meus dias, mesmo quando tenho que ir ao centro de saúde por causa das extensões da baixa, mesmo nesses dias não me recordo nada de ver assim cenas de esfreganço que pudessem ser consideradas promíscuas! Ah mas gostava de ter visto a namorada da Zefa em cima da brasileira, isso sim é um belo pedaço de mulher! Com essa até eu me enrolava se ela me quissesse!

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publicado às 22:11



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